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Apostas para 2013 – Peace (3)

Em 2011 a banda dos irmãos Koisser começou os primeiros ensaios. Antes mesmo de lançar qualquer disco ou EP, eles já estavam fazendo tour por outros países! Obviamente, não era nenhuma superprodução, mas com certeza foi um incentivo a mais para a banda lançar algo que mostrasse todo o potencial. E assim fizeram. O resultado mais recente foi o EP de estréia Delicious, lançado em setembro do ano passado. Rotulada como indie rock, a banda mostra ousadia e confiança ao inserir experimentalismo e elementos do post-rock logo nas primeiras gravações. “Costumávamos nos sentir esbarrados por nosso som parecer muito funk, muito house, rock clássico, moderno psicodélico ou sei lá o que. Acho que na verdade, não importa, contanto que você esteja aproveitando”, disse o vocalista Harrison Koisser.

Perguntado como se sentia com os comentários positivos do NME, Harrison diz: Minha mãe adorou!

Obviamente a banda não deixou de fazer músicas mais comerciais. E funcionou, visto que duas das quatro músicas do EP figuraram entre as 50 melhores do ano na lista do NME, site especializado. Bloodshake e California Daze merecem o crédito, mas vale a pena ouvir as outras músicas.

Sempre bem-humorados, os integrantes da banda não parecem levar as expectativas do mercado a sério. Isso acaba sendo importante, pois mostra que a banda prefere fazer um som honesto e legítimo do que ser mais uma meramente comercial, feita para vender. Até mesmo quando perguntado sobre coisas de relativa seriedade, como quais são os planos para esse ano, Harrison brinca: “Tentar fazer um álbum, acho. Tentar não ficar parado assistindo filmes do Jim Carrey ou essas coisas. Isso seria legal, acho”. Entre tantos achismos, uma certeza: vale a pena esperar para ouvir os prometidos próximos trabalhos da banda.

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Todas as músicas sempre existiram. O que fazemos é descobrí-las.

* Esse texto é um devaneio. E como tal, tem todo o direito de soar insano e irreal.

Um dia desses vi uma entrevista do Jack White, vocalista e compositor do ex-White Strips, em que faz um comentário muito interessante sobre composições:

“(…) A música já está lá no ar ou qualquer coisa assim. Você apenas… meio que a ajuda a existir. Você a administra ou a direciona ou aponta para onde ela supostamente deve ir ou algo assim. Você realmente não pega egocentricamente a glória interna ou crédito por qualquer das canções que vêm pelo estúdio ou pela sua presença. Você apenas está lá para ajudá-las a existir. (…) De certa forma as canções já estão lá. Quando alguém diz ‘eu escrevi essa canção’, isso não é totalmente verdade. O melhor que eu acho que posso fazer quando estou escrevendo uma canção é me posicionar fora do caminho. Não dizer tanto o que ela deve fazer. Não dizer ‘ela deve mudar aqui’, ‘vou fazer isso’, ‘esta vai ser uma canção country’, ‘esta vai ser um rock’n roll’. Ela já existe, ela já aconteceu, apenas afaste-se. Quanto mais você se afasta, mais ela existe e melhor a canção é. E é difícil tomar crédito por isso”.

O mundo das ideias de Platão parece bem real para Jack White.

A primeira impressão que essas palavras passam é de uma essência muito metafísica ou metafórica. Soa artificial e até romântico demais, como se fossem palavras bonitas ao vento para parecer frase de efeito. Por algum motivo, esse comentário de White ficou tanto na minha mente que não pude deixar de pensar nisso de uma forma mais literal. De repente, realmente, todas as músicas por si só já existem. Mas não me apedrejem ainda, aqui exponho meu argumento.

A afirmativa soa muito abstrata, pois não parece plausível que exista um purgatório com todas as músicas que foram, estão sendo e serão feitas. Lembra até o famigerado mundo das idéias de Platão. Mas não tente enxergar assim. Tenha o coração e mente abertos e tente enxergar a ‘música’ que White fala como uma composição, ou seja, harmonia (basicamente a sequência de acordes/notas) e melodia (simplificando, o que você canta, ignorando a letra) – decore esses termos. Não imagine ‘É o Amor’ como o sertanejo que ouvimos – ou ouvíamos – no rádio, mas como aquela cifra que você busca na internet. Pronto, estamos de acordo? Agora vamos para a parte realmente louca.

Se você não entende nada de música sabe, no mínimo, que existem sete notas musicas (dó, ré, mi…). Ninguém simplesmente chega e inventa uma nota. Se você entende um pouco mais, sabe que essas notas têm intermédios (dó sustenido, por exemplo) e variações (dó com sétima aumentada, por exemplo). Então, sim, são muitas notas no final das contas e, ainda, muito mais possibilidades de arranjo. Porém, para fazer uma harmonia musical, não dá pra sair tocando qualquer nota aleatória porque fica um som desconfortável. Existe uma lógica por trás das composições, uma lógica na sequência de acordes. Portanto, devemos concordar que, apesar de existirem muitas possibilidades de harmonias musicais, existe uma porção reduzida de harmonias confortáveis.

Por outro lado, para cada harmonia musical, existe ainda muitas outras possibilidades de melodias. Não são infinitas porque, como vimos, existem finitas notas musicais. Para você ter uma idéia de como é possível fazer várias melodias em cima de uma única harmonia, veja esse vídeo do Screaptease onde os caras pegaram várias músicas famosas que tem os mesmo acordes.

Então, no final das contas, existem várias e várias possibilidades de composição (excluindo as que seriam, consideradas plágio – clique aqui para ver mais sobre plágio). E preste atenção à essa palavra: POSSIBILIDADE. Acredito que o que Jack White quis dizer com “as músicas já existem” é que, assim que ele toca o primeiro acorde de uma nova composição, ele está restringindo ainda mais as possibilidades de criação. Por que? Exatamente porque, como eu disse anteriormente, não dá pra tocar notas aleatórias porque fica desconfortável. No final das contas, o trabalho do músico compositor é exatamente conduzir a música. A possibilidade de sair aquela composição final (harmonia e melodia) já existia, o que o compositor faz é “descobrir” a música.

Sim, leitor, esse texto é tão confuso e tão insano quanto o título parece. Se você chegou até aqui é um guerreiro, e se conseguiu entender e concordar com o texto, um herói. É um devaneio que achei legal compartilhar, nos faz pensar no que é o mundo fora do que nossos sentidos são capazes de perceber. Imagina que bizarro, por exemplo, se daqui a muitos anos todas as possibilidades de composições diferentes já se esgotarem? Para alguns, isso parece que já aconteceu. Muitas músicas são ‘plágios diferentes que de repente pode até ser bem legal’, como canta Tim Bernardes em 66.

O músico compositor, em sumo, é como um jardineiro. As flores já estão lá, o que ele faz é arranjar e aparar. Ou talvez, lá no fundo, Jack White só falou palavras bonitas ao vento para parecer poético.

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Um daqueles gênios que a gente percebe desde cedo

         Felipe Nunes é o nome da fera. Com apenas 16 anos ele faz desenhos incríveis e inclusive já publicou em revistas como Mundo Estranho, Runners e MAD.  “Desenho desde sempre. Achei uns desenhos outro dia em casa de 98, 99, quando tinha 3, 4 anos. Eram bem legais, sobre um homem que jogava ovos no Capitão Gancho”, disse bem-humorado Felipe. “Nos meus aniversários sempre pedia blocos de canson e canetinhas, e gastava tudo em dois dias”.
         Por desenhar tão cedo, ele já passou por vários estilos de desenhos. O atual, arrisco dizer, é o melhor. Mesmo sem deixar de lado a originalidade, Felipe busca muitas influências em artistas brazucas e gringos, como Laerte, Gustavo Duarte, Sica, Cyril Pedrosa e Craig Thompson.  Claro que suas influências não se restringem aos outros desenhistas: cinema e música são  temas de muitos de seus desenhos. Stanley Kubrick, seu diretor favorito declarado, tem um valor especial para Felipe, tanto que já o homenageou com desenhos do clássico Laranja Mecânica. O foco desse artigo, porém, é na influência musical em seus desenhos, já que se trata de um blog musical. Seu repertório não desaponta: “Sou um fã inegável de Beatles, Led Zeppelin e The Strokes”, admite. Também cita Mutantes, Vivendo do Ócio e Radiohead, o que justifica seu estilo indie. “Cara, esqueci de falar de Vespas Mandarinas, Júpiter Maçã e Cidadão Instigado”, disse, fazendo questão de abordá-los.

Caricatura dos Beatles que Nunes fez para o Projeto Carambola

         Felipe tem, além de seus dois blogs –Nunes Cartuns e Arquivos do Nunes (antigo, ele não o atualiza mais)-, o Projeto Carambola com outros três jovens desenhistas, onde cada um faz em seu estilo um desenho sobre determinado tema (como The Beatles ou os personagens de Coragem, o cão covarde), e todo desenho tem a participação especial de um desenhista conhecido, como Jean Galvão. A descrição do blog diz que são quatro aspirantes a desenhistas. Mero eufemismo, já que essa galera têm um belo dom e, entre eles, Nunes se destaca. Segundo Felipe, os editores das revistas em que publicou não o tratam com tanta mordomia, ao contrário dos outros ilustradores. “‘Nossa, você é tão novo!'”, diz Felipe sobre a reação deles. “‘Na sua idade não desenhava nem metade disso!’ Mas sempre acho que é só pra me apoiar, que eles sempre desenharam bem assim”.

Tira sobre o Pink Floyd no estilo anterior que Felipe usava. Desenho do ano passado

         Pretendendo se formar em Design Gráfico, Filipe quer seguir a carreira de desenhista. Apesar de valorizar mais a estética do que o conteúdo em sua arte, acha que é importante ter as duas perspectivas. “Não é necessário um ótimo desenho pra ser uma ótima tira”, diz. Enfim, é sempre impressionante achar artistas tão jovens, que veem na arte não só o sentido da vida mas estão sempre em busca de mais influências. “O importante é não ter preconceito em o que ver e ler. Se você tiver um pé atrás em tudo que ver, não vai conseguir viver”, completa ele.