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Conheça as apostas de bandas para 2013 (índice)

Um novo ano chegou e, entre todas as bem-aventuranças, esperamos também surpresas. Quais bandas farão sucesso? Quais estão se formando? Quais alcançarão o reconhecimento que merecem? Pensando nisso, apresento aqui uma série de postagens de bandas que eu acredito que tem tudo para multiplicarem seus fãs no ano de 2013. Potencial, no mínimo, elas têm.

Essas incógnitas são tão relativas quanto descobrir quem será o próximo campeão brasileiro, pelo menos para nós, meros mortais apreciadores de boa música. Mas eu garanto que olheiros e produtores musicais suaram o ano inteiro identificando tendências e buscando investir em bandas que prometem. Esses bastidores, porém, são totalmente alheios a minha realidade como blogueiro, então tenho que me contentar em apostar nas bandas que já lançaram algum trabalho, seja um álbum de estréia ou um EP. As bandas citadas, portanto, entraram definitivamente no mercado em 2012, e a perspectiva mostrada é de que suas obras ganharão mais reconhecimento neste ano de 2013.

 

1- FOSSIL COLLECTIVE

Começo pela banda britânica Fossil Collectives. Em 2009 a banda Vib Gyor, dona de um rock alternativo aspirante a Radiohead (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

 

2- GARBO & ARABEL

 

Apresento a vocês a banda candanga de rock/reggae com muita mistura Garbo & Arabel. Conversei com o vocalista e um dos compositores Caio Chaim (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

 

3- PEACE

Em 2011 a banda dos irmãos Koisser começou os primeiros ensaios. Antes mesmo de lançar qualquer disco ou EP, eles já estavam fazendo tour por outros países! (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

4- HAIM

Haim é uma banda de meninas. Mas não confunda as coisas: não é uma banda só para meninas. As irmãs californianas Este, Danielle e Alana Haim começaram a tocar pop rock bem mais novas só por diversão (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

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Apostas para 2013 – Haim (4)

Haim é uma banda de meninas. Mas não confunda as coisas: não é uma banda só para meninas. As irmãs californianas Este, Danielle e Alana Haim começaram a tocar pop rock bem mais novas só por diversão quando em 2006 começaram a levar a banda a sério. Após muito estudo e prática – sim, todas elas tocam algum instrumento, fato que, na minha opinião, aumenta muito a credibilidade de uma banda – elas lançaram o primeiro EP em Julho de 2012 (e um single em novembro).

Apesar de não ter se destacado nas paradas musicais, a música das meninas cativou um público fiel e também alguns críticos, faturando nessa brincadeira o título de “Som de 2013” da BBC e o quarto lugar na lista de melhores faixas de música com Forever, divulgado pela especializada NME. Outras músicas como Don’t Save MeWire também se destacaram no público, talvez sendo o trio de faixas que melhor representa o trio de irmãs.

Se atentarmos para o fato de que a banda lançou apenas 6 músicas, o que não dá nem um álbum, e já conseguiu tais feitos somados aos milhões de acesso no Youtube, não há nenhuma surrealidade em ver um grande potencial no gurpo. Tecnicamente falando, aprecio a voz e o carisma da vocalista, além da integração das irmãs como instrumentista. O gênero que melhor descreve é o pop, mas há elementos marcantes de rock e eletrônica também. Por outro lado, admito que, apesar do apoio da crítica, não me identifico tanto com o som da banda.

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Apostas para 2013 – Garbo & Arabel (2)

Na segunda postagem da série “Apostas para 2013”, onde eu identifico bandas com potencial de aumentar seu público e conceito, apresento a vocês a banda candanga de rock/reggae com muita mistura Garbo & Arabel. Conversei com o vocalista e um dos compositores Caio Chaim, que além de músico é estudante de Direito na Universidade de Brasília. Os outros integrantes, Iani Zeigerman (guitarra rítmica), Matheus Rocha (guitarra melódica), Breno Rocha (baixo) e Saulo Santos (bateria) também estudam seus respectivos cursos, o que acaba prejudicando na dedicação da banda. Zeigerman, por exemplo, está em um intercâmbio, e Caio ocupa provisoriamente a guitarra. Mas Caio garante que o que não falta é vontade: “A vontade de todo mundo era jogar tudo pro alto e se focar na música, que sem dúvidas é nosso grande sonho… Mas falta coragem, infelizmente. Quem sabe com as coisas crescendo mais e mais a gente se acerta”.

Partindo para a sonoridade do grupo, não hesito em afirmar que esta é uma das muitas bandas com tantas influências que não dá pra rotular sistematicamente. Logo no primeiro parágrafo disse que era rock e reggae por ser o gênero mais destacado, mas percebe-se elementos do pop e MPB. Em um panorama geral, lembra Skank e até Móveis Coloniais de Acaju, portanto se você curte o jeito brasileiro de fazer bom som, a banda é mais que recomendada.

Nas letras das músicas, por outro lado, vemos influências mais consolidadas. A poesia, como a melodia, flui com tanta naturalidade que estranhamos o anonimato da banda no cenário nacional. Músicas como Brasília e Morena Singela são ótimos pedidos. E como aperitivo, não conseguimos provar só um, acabamos ouvindo as outras músicas. Caio diz que, como letrista, seus maiores inspiradores são Renato Russo, Vinícius de Moraes e Rodrigo Amarante (ex-Los Hermanos). É Ela (clique aqui e ouça), de Iani Zeigerman, também não deixa a desejar, lembrando que a banda não é só o Caio. O baixo de Breno Rocha, por exemplo, é arrebatador, e me faz relembrar que música sem baixo não é a mesma coisa.

Garbo & Arabel, diferente das outras bandas da “Apostas para 2013”, não tem discografia. Ou melhor, não na maneira convencional (como álbum), mas a banda disponibiliza 10 músicas com qualidade de estúdio no site SoundCloud (clique aqui para visitar). Também é possível ver no Youtube vídeos acústicos com Chaim, como Brasília, cantada à beira do Lago Paranoá, música que já passou das 6 mil visualizações. A banda vem fazendo diversas apresentações, e pela qualidade das canções já gravadas, apostaria alto como uma banda que logo conquista o sucesso que merece.

Acompanhe um trecho da entrevista com Caio Chaim:

Me Dá Um Lá: Quando a banda se formou? Quais foram as maiores conquistas até hoje?

Caio: A origem da banda é um pouco nebulosa… Nos reunimos, em um primeiro momento -meados de 2010 -, para tocar covers. Mas inventei de escrever um dia, e acabou que viramos autorais. No início, como não tínhamos nada muito concreto e cada um compunha no seu canto, nos reuníamos muito pouco. Só em 2012 que decidi levar a sério o projeto, e todos toparam. Demos nosso primeiro show no dia do meu aniversário, em 19 de maio, e de lá pra cá o reconhecimento tem sido crescente.
Acho que nossa maior conquista, até agora, é o reconhecimento que alcançamos. Em menos de 8 meses, estamos participando ativamente do cenário musical brasiliense, com um público relativamente fiel já conquistado.
Muitas vezes amigos meus vem falar que estão ouvindo músicas nossas, e uma vez vi um cara que eu não tenho ideia de quem seja cantando Doce (outra faixa nossa) na rua. Sem dúvidas isso é o que mais me alegra, esse negócio das pessoas trazerem pra si, pra sua vida corriqueira, o nosso som. Faço música é pra isso, pra permear a vida das pessoas.
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Me Dá Um Lá: O que você acha do cenário atual da música candanga?

0Caio: Essa é a pergunta certa para o cara certo. Sou apaixonado por Brasília e, antes de tudo, um sonhador. Sempre tive a intenção de chamar atenção não somente para a minha música, mas para a que é produzida aqui no Planalto Central. Eu não sei o que acontece, mas acho que a aura de Brasília fornece uma inspiração muito pura pra quem consegue abrir os olhos pra ela. É por isso já saiu tanta gente talentosa daqui, desde o gênio Renato Russo, uma das minhas duas maiores inspirações como letrista, Cássia Eller, Zélia Duncan (que não nasceu aqui, mas é brasiliense por opção), até Natiruts e Raimundos.

E não deixa de ser assim com essa novíssima geração que está surgindo. O cenário candango, nesse exato momento, é absurdamente fértil, muita gente boa tá aí esperando pra ser descoberta. Claro que depende um pouco de sorte e de contato, mas qualidade e genialidade é o que não falta.

Se você me der licença, queria citar algumas dessas bandas e músicos que julgo serem diferenciados, e que tenho o orgulho de dizer que conheci,fosse por circunstâncias da vida corriqueira, fosse por nos cruzarmos no cenário cultural de Brasília: os parceiros do Lusco-Fusca, banda de reggae genuíno do Planalto Central, que tem letras fantásticas; Sérgio Dall’Orto, pequeno gênio na poesia também, a meu ver uma das maiores promessas do rap nacional; Verano, que já tocou algumas vezes conosco pela similaridade do som, e o Da Silva, banda do reconhecidíssimo Cláudio Bull (ex-Superquadra), que vem como cabeça de chave no pop daqui da capital.

Me Dá Um Lá: Eu gostaria de saber como que é o processo de composição. Quando você começou a compor, quais as dificuldades, como o público e seus amigos/familiares reagem à suas músicas e ao Caio Chaim como músico…
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Caio: Sou mais ligado às letras do que aos arranjos, sem dúvidas. Meu processo criativo não tem um padrão de lógica certo, mas na maioria das vezes a relação entre a letra e a melodia da voz é o que me guia. Vou “conhecendo” a música de pouco em pouco – na linha de Paul Mccartney e Yesterday, com a técnica do “scrambled eggs” (risos). Quando já sei qual a métrica possível de se encaixar em cada parte, vou improvisando com coisas que penso todos os dias, ou com algo que eu veja na hora.

O início é sempre complicado, como pra qualquer coisa nova com a qual você se depare. Minhas letras iniciais, por exemplo, eram terríveis (risos). Muito bobinhas, palavras batidas, essas coisas. À medida que o tempo passou, fui amadurecendo e sou bem satisfeito com meu trabalho hoje.

A resposta do público e da família é a melhor possível! Todo mundo vem me passar a impressão inicial, e quase sempre ela é ótima! Acho que só uma música o povo esculachou, e essa aí nem existe mais depois disso (risos)
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Me Dá Um Lá: Você acha que se encaixa mais no cenário independente ou almeja atingir um grande público comercial, esperando apenas a oportunidade? Como a banda reage a esses “dois lados” do mercado musical?
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Caio: Não sou adepto dessa classificação de “independente” e “comercial”, acho que não faz muito sentido, a não ser que se esteja falando de dinheiro. Se o parâmetro for esse, com certeza nos colocaria no cenário independente (risos). Pra mim, música não se faz só pra si, o destinatário inicial dela sempre é outra pessoa. Isso desemboca, consequentemente, em um grande público “comercial”, em caso de sucesso. E é claro que almejo isso, faço minhas letras pensando em pessoas, em coisas que acho que todo mundo pensa, pra que elas se identifiquem com o que eu falo e tragam minha mensagem pro dia a dia, pra determinado momento. É o caso das mensagem principais de (Sub)Consciente e Morena Singela, por exemplo.

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Me Dá Um Lá: Por fim, uma pergunta mais trivial: se você pudesse em um estalar de dedos saber tocar um instrumento novo, qual seria?
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Caio: Sem sombra de dúvidas, piano. Acho o mais belo de todos, me arrependo de não ter entrado em contato quando pequeno, mas ainda espero ter tempo de aprender!

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Apostas para 2013 – Fossil Collective (1)

Um novo ano chegou e, entre todas as bem-aventuranças, esperamos também surpresas. Quais bandas farão sucesso? Quais estão se formando? Quais alcançarão o reconhecimento que merecem? Pensando nisso, apresento aqui uma série de postagens de bandas que eu acredito que tem tudo para multiplicarem seus fãs no ano de 2013. Potencial, no mínimo, elas têm.

Essas incógnitas são tão relativas quanto descobrir quem será o próximo campeão brasileiro, pelo menos para nós, meros mortais apreciadores de boa música. Mas eu garanto que olheiros e produtores musicais suaram o ano inteiro identificando tendências e buscando investir em bandas que prometem. Esses bastidores, porém, são totalmente alheios a minha realidade como blogueiro, então tenho que me contentar em apostar nas bandas que já lançaram algum trabalho, seja um álbum de estréia ou um EP. As bandas citadas, portanto, entraram definitivamente no mercado em 2012, e a perspectiva mostrada é de que suas obras ganharão mais reconhecimento neste ano de 2013.

Dave Fendick (esquerda) e Jonny Mulroy, fundadores do Fossil Collective.

Começo pela banda britânica Fossil Collectives. Em 2009 a banda Vib Gyor, dona de um rock alternativo aspirante a Radiohead, se dissolveu. Mas nem tudo foi deixado para trás: Dave Fendick e Jonny Mulroy, dois ex-integrantes, fundaram em meados de 2010 Fossil Collective. A nova banda tem uma levada muito mais folk, e a experiência dos discos anteriores do Vib Gyor agregam muita qualidade. A relativa fama da ex-banda também ajudou na divulgação de Fossil Collective.

O ano de 2012 foi bem significativo para a banda. Jonny Mulroy disse em uma entrevista que as apresentações e todo o suporte dos fãs e apreciadores foram um dos pontos altos do ano passado. Por que não seria também em 2013? A musicalidade da banda é incrivelmente reconfortante, a exemplo de Let It Go, sua música mais famosa, e homônimo do primeiro EP lançado em Junho deste ano. On and On, outro EP lançado quatro meses depois, não foge à regra. Músicas essenciais para conhecer a banda: Let It Go, On and On, Silent Alarm e Satellite.

Esse ano a banda faz a primeira turnê, infelizmente se restringindo à Inglaterra. Após um primeiro passo em 2012 com músicas de qualidade e uma exposição mínima, acredito que a banda só tem a crescer. Se você aprecia qualquer estilo de folk (o gênero reconquista cada vez mais o mundo) e rock alternativo, a banda é altamente recomendável. Com as próprias palavras de Dave Fendick, “Tem muitas bandas que gostamos dos anos 70 e 80. Neil Young, Simon & Garfunkel (…). Também somos muito inspirados por artistas contemporâneos como Bon Iver, Fleet Foxes, Sigur Rós…“. Se você gosta destes, vale muito a pena conferir. Que os shows na Inglaterra invadam o mundo!

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Los Porongas – rock está mais vivo no Acre que em muitos outros Estados

A primeira vez que li o nome Los Porongas foi em uma lista por aí na internet dos melhores discos nacionais do ano. O álbum referente é “O Segundo Depois do Silêncio” (download gratuito no site oficial), e realmente foi descrito pelos críticos não só como um dos melhores no cenário independente do ano como também o firmamento da banda como promessa concretizada. Para quem não conhece a banda ainda, basta adiantar que tocam rock alternativo, nada tão original, mas extremamente convincente.

Oriunda do Acre, a banda impressiona por trazer um som tão cosmopolita de uma região geograficamente afastada. Ou melhor, não é a banda que impressiona, mas as pessoas que se impressionam. Se impressionam e não deveriam, pois não existe pensamento mais retrógrado, ainda mais em um mundo globalizado, que imaginar que as grandes produções culturais e artísticas se limitam ao Sudeste brasileiro. E acrescento: quem está ligado em música alternativa sabe que grandes nomes são de lugares bem longinhos de SP, como Vanguart (Mato Grosso) e Vivendo do Ócio (Bahia). Então, por que não surgir uma banda de tamanha qualidade no Acre? Dá-lhe Los Porongas! Infelizmente a indústria cultural, sim, está concentrada no Sudeste, mas acredito que uma descentralização é iminente. A fim de impulsionar a carreira, a banda acriana se mudou para a capital paulista, refletindo essa infeliz premissa do monopólio paulista/carioca da indústria cultural.

Música do CD novo, a minha favorita.

Apesar de tantos elogios, não chego nem perto de ser fã da banda, não conheço muitas músicas e nem tenho muita intimidade com o som, então prefiro adiar críticas das músicas em si para outra oportunidade. Apenas adorei o som de primeira impressão, e o objetivo do post é compartilhar um som bem feito. Aproveitem as músicas e as gravações ao vivo também, pois a química da banda é boa.

Além do nome em ‘espanhol’, essa música tem um quê muito presente de Los Hermanos.

Banda Do Mês – Selton

Biografia e análise das obras de SELTON. Mini-documentário ao final do post.


     No atual cenário musical e mercadológico, é fácil perceber as adaptações que as novas bandas fazem em relação às bandas de dez anos atrás. Não é de hoje que o download gratuito é um pesadelo para as gravadoras (apesar das medidas tomadas pelos governos, como a proibição do Lime Wire, um dos maiores portais de compartilhamento gratuito de arquivos), mas os resultados são muito mais perceptíveis agora. O conceito e o impacto de um álbum não é mais o mesmo, o modo de conquistar o público não se limita à mídia de massa e o valor da música adquire um tom muito mais artístico que material. É nesse cenário que as novas bandas têm que se reestruturar, e a banda Selton não foge à regra.

     Ironicamente, hoje a Internet é a maior aliada na divulgação das novas bandas, como acontece com Selton. Divulgar músicas, vídeos e se comunicar com fãs e com a mídia (como a entrevista que eles deram, com muita boa vontade, a esse blog) são algumas das milhões de ferramentas que a Internet proporciona. Por isso que as bandas de hoje tem uma relação muito mais dialética com os fãs, e isso é essencial para Selton. Aliás, a carreira da banda é um tanto peculiar: uma banda brasileira que tocava música britânica na Espanha até fechar contrato com uma gravadora italiana e ganhar reconhecimento na Europa. Nesse contexto, a banda vai precisar de toda essa estrutura da informática e da continuidade dos trabalhos já feitos pela Europa para conquistar o público brasiliero.

Formação e primeiros anos

Selton tocando no Parque Guell



     Ramiro Levy (voz, guitarra e ukelele), Daniel Plentz (bateria e voz), Ricardo Fischmann (voz, teclado e guitarra) e Eduardo Stein (baixo e voz) eram colegas no Colégio Israelita de Porto Alegre. Cada qual tomou seu rumo – Daniel e Eduardo estudaram publicidade e Ramiro e Ricardo, psicologia – mas ainda compartilhavam um mesmo interesse: passar uma temporada no exterior. Pelo acaso do destino, todos foram para Barcelona, na Espanha, e acabaram se encontrando por lá. Resolveram montar uma banda e fazer covers dos Beatles no Parque Guell, uma famoso ponto turístico – chegaram a gravar um disco só de covers deles. A quantidade absurda de turistas que os admiravam, a qualidade sonora e a valorização do artista de rua resultou em uma renda considerável para o grupo, que preferiu essa atividade a trabalhar como garçom ou caixa de supermercado (empregos comuns de quem faz intercâmbio).
     É claro que não eram tudo flores, e os rapazes se esforçavam muito para continuar com o trabalho bem feito. Mesmo após as noitadas de Barcelona a banda se reunia logo de manhã para trabalhar. “Parece besteira, mas era realmente um ato de heroismo…“, disse Ramiro, o guitarrista e vocalista da banda. “Acho que nem os beatles conseguiam cantar ‘She Love´s You’ às dez da manhã. A gente teve que aprender“.
     A banda já estava a dois anos nessa rotina e, apesar da grande satisfação para eles, essa aventura tinha data marcada para acabar. Pretendiam, no verão que se aproximava, voltar para casa e à suas vidas normais,  mas não aconteceu como o esperado. Em mais um dia normal, entre os vários turistas que paravam para falar com eles, um deles era o produtor da MTV italiana. Receberam a proposta de tocar no programa Italo-Spagnolo, que é gravado em Barcelona, mas transmitido na Espanha e Itália. Aceitaram a proposta e lá conheceram o produtor musical do programa, que adorou a banda e ofereceu um contrato com sua gravadora em Milão. Esse foi o momento em que mudou a perspectiva da banda e sua trajetória.


Banana à Milanesa

Capa do disco Banana à Milanesa, que ganhou 4 estrelas pela revista Rolling Stones. “Saber que de algum modo a nossa arte é apreciada pelo publico é realmente uma sensação sem nome”.

     Os integrantes se viram diante de um dilema: voltar para casa, terminar os estudos e ter uma vida normal; ou aceitar a proposta do produtor italiano, que realmente acreditava na banda. Decidiram, portanto, pela segunda opção e assinaram um contrato de três anos com a Barlumen Records, que previa também o lançamento de dois discos.
     O primeiro deles, Banana à Milanesa (2008), pode ser exatamente a interseção entre o Brasil e a Itália. Começando pelo nome, que faz alusão à brasileiríssima fruta tropical, a banana, à moda milanesa (empanadas e fritas), lembrando que Milão é uma das principais cidades italianas. Por outro ângulo, vemos quatro gaúchos cantando clássicos italianos (Jannacci e a dupla Cochi e Renato) traduzidos para o português e com arranjos de rock e MPB. Algumas músicas, como Malpensa, realmente lembram as canções de Chico Buarque. Mas não é uma admiração secreta, já que também há uma composição do próprio Chico na álbum: Pedro Pedreiro. Apesar do repertório, o grupo garante que não pretendia atingir nenhum público específico, apenas se identificaram com a música e fizeram seu melhor.  
     O fato de uma jovem banda brasileira cantar essas músicas dos anos 60 não significou uma limitação do público. Por incrível que pareça, Selton tem um grande apoio dos jovens, seja pelas renovações que deram às musicas ou pela própria irreverência do grupo, que invoca o carisma. Redescobrir clássicos subestimados da música italiana foi um trabalho peculiar do grupo. Acho que foi uma das melhores surpresas que o disco trouxe“, reflete Ramiro.

Cochi, uma das influências do álbum, também participou de algumas músicas. 

     O disco possui 13 faixas, todas intercaladas por barulhos ou conversas entre os integrantes que ocorrem ao término de cada música, o que é incômodo, mas apenas uma expressão da irreverência da banda. Por ser um disco de releituras, a personalidade da banda se limita aos arranjos, que são um tanto diversos. Oscilam entre MPBs como Pedro Pedreiro e La Cosa Rosa e as músicas italianas que lembram até uma marchinha (vide La Gallina e Canção Inteligente), mas tem ápices do rock com La Quiniela e Banana à milanesa, a faixa-título.
     Para quem valoriza a boa poesia, Banana à Milanesa, cumpre sua parte. Mérito do compositor Jannacci e da tradução dos rapazes. É a Vida, logo no início, é um dos pontos altos do CD. Jannacci, aliás, é considerado um dos gênios da música italiana, e, apesar de ter uma temática cômica em suas música, não é essa a proposta do álbum. O máximo do cômico (se não trágico) que há é a trova Eu Vi Um Rei que, conduzido pelo ukelele e com um diágolo genial entre o coro e o vocal principal, conta toda a desgraçada submissão dos servos ao rei, bispos e à classe dominante em si.
     Com o término das gravações do álbum, afim de promovê-lo e ganhar visibilidade, a banda programou mais de 200 shows (divididos em três turnês) por toda a Itália. Isso ressalta o fato de que, para ganhar reconhecimento, uma banda tem que estar sempre se reinventando e procurando todas as formas de atingir o público. A banda também tem crédito por tocar em festivais dos quais participaram bandas conceituadas como Jamiroquai, Deep Purple e Massive Attack.

     Selton, percebe-se, não é uma banda qualquer. Só o fato de cantar algumas músicas em italiano e inglês já causa estranhamento nos italianos. “Como assim uma banda brasileira que não faz axé ou bossa nova? Como assim uma banda brasileira cantando em italiano e inglês?” diz Ramiro, reproduzindo a surpresa de seu público. “É como se automaticamente ao vir pra cá, sendo brasileiros e fazendo rock, a gente tivesse comprado algumas brigas“.

     
Selton, o 2º disco


     Após ganhar a mídia italiana através de revistas (Vanity Fair, La Repubblica, entre outras) e canais de TV (MTV, SKY TV, entre outros) e até ganhar o prêmio Targa Bigi Barbieri de artista revelação do ano, Selton preparava o terreno para a obra que realmente é a cara deles, o segundo disco – que leva o nome da banda, Selton (2010). O álbum foi produzido por Tommaso Colliva, que já trabalhou com as bandas Muse e Franz Ferdinand, e Massimo Mortellotta. É importante frisar que, apesar desse assédio gringo, a banda é genuinamente independente, no sentido de que não se submete aos valores da música e da cultura de massa.
     É comum em algumas grandes bandas, como Coldplay, haver um grande avanço de qualidade entre o primeiro e o segundo disco. No caso de Selton, o avanço não é na qualidade, mas no conceito da banda. O quarteto que reproduzia as “músicas de velho” agora tem outras 13 faixas de composições próprias. A verdade é que eles já vinham compondo desde Barcelona, por sugestão do produtor que tinham acabado de conhecer. “Ele disse que nós éramos uma banda incrível, que tudo o que nos faltava para virar uma banda de verdade era compor“, relembra Ramiro. “Nesse momento houve um ‘click’ na cabeça de nós quatro e a gente começou a compor, assim, de repente“.
     É claro que dois anos tocando Beatles na rua e mais dois anos de gravação e apresentações de seus covers de Banana à Milanesa haveriam de marcar a banda. Percebe-se uma grande influência dos garotos de Liverpool no modo como os integrantes reproduzem o vocal de apoio. Esses falsetes são marcantes em Non Lo So e Anima Leggera, as faixas mais famosas do disco – ambas ganharam videoclipes. Non Lo So, por sinal, pode ser considerado o grande sucesso deles. Mais de 180 rádios já a tocaram.
     Io Voglio Cambiare (Eu Quero Mudar, na versão em português), em uma análise mais cuidadosa, é exatamente a síntese da carreira da banda. O coro é quase um clichê dos beatles; o formato da música e as partes faladas da música é uma influência de Jannacci; a mudança do instrumental, com mais guitarra e riffs, representa a diferença instrumental, as vezes sutil, entre os álbuns. 

     As demais composições do álbum não passam longe dessa análise, e aos poucos reflete na maturidade das composições. Be Water e Io Vorrei, por exemplo, inspiram tranquilidade (menções honrosas para os assovios melódicos desta última). Com um trabalho desses é merecida uma visualização maior do álbum. Por isso que a banda está em turnê e já fizeram mais de 40 shows, inclusive no Brasil. Passaram por São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, apenas. Mas, segundo a banda, voltarão ao Brasil em novembro.

     Selton é uma banda que, mesmo começando em terras gringas, seria um bom acréscimo á música brasileira. Segundo a eles, “uma banda se constrói com boas musicas, trabalho e continuidade. Agora o próximo passo em relação ao Brasil é dar continuidade ao trabalho que a recém começamos“.

mini documentário sobre a banda



DOWNLOADS:
-BANANA À MILANESA (2008): http://itunes.apple.com/pt/album/id295828293
-SELTON (2010): http://itunes.apple.com/pt/album/selton/id405044562
* a banda disponibiliza algumas músicas gratuitamente em seu myspace: http://www.myspace.com/seltonselton

Banda Do Mês – Sigur Rós

Biografia e análise das obras de SIGUR RÓS. Mini-documentário ao final do post.

     O mundo da música alternativo é realmente impressionante. As vezes, ao procurar em um canto, é possível encontrar bandas maravilhosas com um enorme potencial de destaque na mídia. Mas é exatamente isso que faz a diferença: estar alheio à indústria da cultura dá uma liberdade a essas bandas, o que resulta não apenas em obras belíssimas, mas no próprio processo criativo. E Sigur Rós [si ur rous] é a banda modelo, cuja carreira se enquadra perfeitamente nesse exemplo.
     Para começar, a banda se formou em 1994 na longínqua Islândia (aquele paisinho gelado que quase nunca lembramos de sua existência), na capital Reykjavík. O líder, o vocalista e guitarrista Jónsi Birgisson já tinha participado de uma banda de grunge e é fã declarado de Iron Maiden. São fatos completamente surpreendentes, já que o estilo da banda se afasta ao máximo de distorções de guitarras ou levadas de bateria. Suas músicas, que chegam com facilidade a 9 minutos de duração , têm um efeito melancólico e obtiveram sucesso na tentativa de ser épica. Mérito do piano e teclados de Kjartan Sveinsson e, lógico, das composições e incríveis falsetes de Jónsi, que podem ser facilmente confundidos com uma soprano.

     É bem provável que muitos tenham opiniões divergentes sobre a banda, o que é completamente compreensível. Afinal, o som do grupo contraria todas as atitudes imediatistas do mundo atual. Muitos podem se referir às suas músicas como “aquela chata que nunca acaba”, ignorando os objetivos reais da banda. E é entre esses e outros pontos no mínimo interessantes (como a língua inventada pela banda para cantar suas músicas ou o modo de tocar guitarra com arco de violoncelo) que o artigo desenvolve, o mais analítico possível, como essa estranha banda é tão majestosa.


Formação e primeiros anos


     O nome Sigur Rós (que significa algo como ‘rosa da vitória’), segundo os integrantes, é uma homenagem à irmãzinha do vocalista Jónsi Birgisson, que se chamava Sigurrós e nasceu no mesmo dia da formação da banda (agosto de 1994). No início, apenas JónsiGeorg Hólm (baixo) e Áugúst Gunnarsson (bateria) integravam o grupo. E foi com essa formação que eles se apressaram para gravar o primeiro álbum Von (“esperança”, em islandês), que de pressa não teve nada. Isso porque as gravações demoraram meses e só foi lançada em 1997, sob selo da Smekkleysa, a mesma gravadora que lançou Björk, a celebridade islandesa mais famosa no mundo.

     A primeira impressão que a obra deixou não foi muito boa, nem para os próprios integrantes, que teceram a ideia de descartá-lo e regravar tudo. A ideia só se concretizou em 1998 com o remix chamado Vonbrigði, que adotou tradução de suas músicas em inglês. Mesmo com os meros 313 cd’s vendidos da primeira obra, a gravadora continuou com a banda, que teve uma adição importantíssima: o talentoso pianista/tecladista Kjartan Sveinsson. A reformação da banda foi um fator motivacional importante para a preparação do próximo álbum, que mudou totalmente a maneira de como a banda foi vista.


Ganhando a mídia e o reconhecimento

     Em 1999 foi lançado o terceiro álbum da banda, Ágætis Byrju (“um bom começo”, em islandês), que foi literalmente uma surpresa. O diretor da gravadora, que esperava a venda de no máximo duas mil cópias se deparou com o patamar internacional, no qual vários críticos aclamavam como o melhor álbum do século. Comparada com as músicas mais experimentais de Radiohead, várias faixas do álbum como a belíssima Staráfur e a bizarra Svefn-g-englar apareceram em seriados e filmes. A angústia épica e melancólica de suas músicas se tornaram perfeitas para cenas de forte emoção na televisão e no cinema.

     O álbum foi bem artesanal: desde o processo de fabricação dos cd’s, onde os próprios membros ajudaram a colar a capa; até as composições, que parecem ser feitas com o maior cuidado possível. A música Staráfur, por exemplo, é palindrômica. Isso que dizer que se ela for tocada de trás para frente, terá a mesma sequência de acordes. Jónsi também passou a compor várias músicas em uma lingua inventada por ele, a Vonlenska (algo como “esperançês”). A ideia, segundo ele, é fazer com que a melodia fique exatamente como ele quer, criando a harmonia perfeita. E ele conseguiu.

     Nessa época, o Sigur Rós teve várias chances de aparecer na mídia de massa e se tornar uma banda mais conhecida. Foram, por exemplo, convidados pelos produtores do famoso David Letterman Show para tocar por três minutos no programa. Segundo Jónsi, a banda declinou o convite pelo tempo ser curto demais para suas músicas. Esse compromisso com os valores iniciais da banda, de manter a arte pela arte e não se curvar a interesses industriais, foi muito bem visto pelos fãs. Outro exemplo desse compromisso foi a recusa de contrato com uma gravadora americana, que prometia maior visibilidade para a banda.

Vocalista e guitarrista Jónsi

     Após o término das gravações, o baterista Áugúst saiu para a entrada de Órri Páll, mas isso não mudou de forma alguma a química da banda. Três anos depois, em 2002, lançariam o próximo álbum, com um belo conceito.

Consolidação

     Após o sucesso inesperado de Ágætis Byrju, a banda passou aquele período de encantamento em que tudo o que produzisse era considerado genial. Mas não é por menos: o álbum seguinte não teve nome, nenhuma das canções do álbum eram nomeadas e a contra-capa vinha com várias folhas em branco. A ideia era que o ouvinte inventasse o nome do álbum, das músicas e as letras (que eram em vonlenska, ou seja, não tinham sentido) da forma que lhe convinha. Era uma maneira de expressar seus sentimentos e estado de espírito através das obras de Sigur Rós. A ideia realmente era genial. As músicas, porém, resultaram em uma digestão cada vez mais pesada.

     Foi na gravação desse disco, referido normalmente como ‘( )’, que Jónsi descobriu uma das formas mais estranhas de se tocar guitarra. O antigo baterista Áugúst havia lhe dado um arco de violoncelo de presente, e o baixista Georg tentou tocar em seu baixo com ela. Foi um desastre, mas ao Jónsi tentar em sua guitarra, saiu um som único, que é confundido com o sintetizador nas músicas.

     E a qualidade, claro, permanecia. A banda saiu um pouco da mídia, mas suas músicas ainda estavam lá. Hoppípolla e Glósoli, do quarto álbum Takk… (obrigado…) foram usadas em documentários do Discovery Channel e em outros programas de televisão. Os números de cópia ultrapassavam quinhentos mil facilmente. Isso, para uma banda alternativa islandesa, é impressionante. 

     Em 2006, a banda se juntou a uma equipe para filmar um documentario sobre a banda em seu país. O filme, tão patriótico quanto o próprio grupo, tem apresentações ao vivo e cenas fantásticas do país. O diretor, Dean de Blois, é o mesmo que produziu a animação Lilo & Stitch Como Treinar Seu Dragão.



Último disco e hiato

     O impronunciável Með suð í eyrum við spilum endalaust (Com um barulho nos nossos ouvidos tocamos eternamente, na tradução), de 2008, foi resultado do fim da ressaca de exposição da banda. Vale ressaltar que essa “exposição” não se refere à cultura pop, ou mídia de massa, mas sim ao mundo da música e aos mais informados. O disco tomou o 1º lugar nas paradas islandesas e teve algum destaque em outros países europeus como Bélgica ou Noruega. 

     O som da banda está mais limpo, como se percebe em Gobbledigook. Tentaram cantar em inglês, mas os membros não são muito familiarizados. Apesar da juventude da banda, os membros de Sigur Rós entraram em um hiato desde 2009. Jónsi havia dito que estavam planejando um sexto álbum, mas só confirmaram que voltariam ao estúdio em 2011. A perspectiva é de um álbum melancólico, disse ele. Totalmente previsível.

     O interessante desse grupo é a elevação do bem estar que ele possibilita. Apesar de suas músicas serem muito parecidas, tem essa originalidade que parece mais uma bênção. Afinal, uma música boa é aquela que modifica seu estado de espírito, e esse é o ponto que Sigur Rós consegue, quase sempre, alcançar.





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