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Onde encontrar músicas e clipes de qualidade

Dizem por aí que a MTV já não é a mesma. Dizem que não se vê tantas músicas novas e boas na televisão como antigamente. Nostalgia ou não, o fato é que a TV realmente está perdendo espaço para a internet. O Youtube, por exemplo, se tornou um dos meios mais usados para divulgação de música e, como diferencial, ainda possibilita um feedback melhor que os meios convencionais. Não é à toa que os vídeos mais vistos em 2012, quase em sua totalidade, foram musicais.

Mas como, nesse oceano de vídeos, achar clipes e gravações inéditas e de qualidade? Essa pergunta já é respondida há algum tempo por algumas empresas que se dedicam a postar na internet shows e acústicos de diversas bandas. Algumas delas já estão aí antes mesmo do surgimento do Youtube! Apresento, então, três canais do Youtube que têm essa proposta, que é  uma boa maneira de acabar conhecendo bandas novas. Precisamos de MTV, no fim das contas?

Showlivre

É um site especializado em música que a mais de uma década está na internet. Atualmente é parceiro do MSN, e além de blog tem um canal homônimo no Youtube que divulga com frequência apresentações de bandas, sejam elas conhecidas ou underground. Com mais de nove mil vídeos postados, o Showlivre é um dos canais mais versáteis e ecléticos, causa até susto ouvir uma banda de metal em um dia e MPB no outro. Artistas como A Banda Mais Bonita da Cidade (apresentando música novas) e Falamansa, entre muitas outras, fazem parte do repertório.

A Banda Mais Bonita da Cidade em Balada da Contramão, mostrando que é muito mais que Oração.

O Terno em Modão de Pinheiros, inspirado no rock sessentista.

Burberry Acoustic

O canal gringo é um dos meus favoritos. Aposta nas diversas bandas do crescente indie folk, mas por ser acústico não deixa de divulgar música que facilmente se passam por românticas, country ou de gêneros parecidos. Possui uma fotografia excelente, e a ambientação, assim com as músicas apresentadas, é impecável. Os artistas podem parecer hipster ou fashions demais, mas com uma razão: Burberry é na verdade uma marca de roupa de luxo. Eu, um ferrenho crítico do mercado de luxo ouvindo esse canal? Sim, e ainda assim gosto muito. Ótima estratégia de marketing. Bandas como Keane já se apresentaram, mas a graça mesmo está em ver artistas independentes e desconhecidos dando um show de qualidade.

Keane em Disconnected

Irmãos Flynn em Amazon Love

Música de Bolso

Apesar de ter entrado em um hiato de seis meses, é um dos canais com artistas mais conhecidos. Zélia Duncan, Mallu Magalhães, Móveis Coloniais de Acaju e Vanguart já deram suas colaborações. Assim como o Burberry Acoustic, a Música de Bolso investe em cenários e ambientações diferentes e belas, agregando ainda mais emoção e qualidade. Também possui site e blogs, e queira Deus que voltem a produzir vídeos.

Zélia Duncan em Dor Elegante

Mallu Magalhães em Make It Easy

Existem mais canais do mesmo gênero, talvez não exclusivamente de música, como a TV Folha e o Papo de Homem. O importante é valorizar as produções de conteúdo e, obviamente, conhecer e se entreter com o que a boa música propicia.

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O som dos baianos

Dizem que existem três Bahias: a de Jorge Amado e de Caymmi, a de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tropicália; e a do Axé. Atualmente a mais comercial e deliberadamente espalhada por aí é a última, a Bahia da Ivete Sangalo e Daniela Mercury. Nada mais justo, portanto, que eu tentar puxar a corda pro outro lado e falar da Bahia que marcou o jeito do brasileiro fazer música e deixou traços um pouco menos carnavalesco do que costumamos relacionar hoje.

Essa é a primeira postagem de uma série que mostra grandes artistas de cada Estado. A ideia não é rotular e segregar, mas exatamente revelar que cada estado tem sua importância na diversidade cultural do já diverso Brasil.

Raul Seixas

Raul nasceu na capital Salvador, em 1945. O baiano filho de engenheiro sempre teve um desempenho pífio na escola, segundo ele, por um ótimo motivo: ouvir rock e ler livros. Raul dizia: “tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la”.

Entre tantas práticas de gazeação de aula, Raul acabou fazendo parte de turmas de rua, daquelas que arrumam brigas e vandalizam. O motivo para ele se envolver, na verdade, era o bom e velho rock n’roll, visto que sua gangue era conhecida como Elvis Rock Club. E a partir daí, num dos poucos grupos roqueiros da capital baiana, Raulzito foi amadurecendo como músico até chegar ao estrelato, nos anos 70.

O baiano hoje é considerado como um dos pais do rock brasileiro, influenciando muito a juventude na época da ditadura e a maneira de adaptar o rock ao cenário nacional. Em suas músicas, por exemplo, o místico Raul fazia questão de acentuar seu sotaque e fazer referências a grandes músicos brasileiros, sem medo de parecer brega ou estranho – e muitas vezes o era. Mas quem disse que o estranho não pode ser bom?

Tente Outra Vez, de Rau Seixas.

Dorival Caymmi

Outro natural da capital, Caymmi foi um dos primeiros a mostrar a influência baiana no samba e no que viria a ser a bossa nova. Começou a carreira na década de 30, que durou até sua morte em 2008. Aprendeu música em casa, com os pais, e só foi se dedicar inteiramente a ela quando estreou na rádio.

Seu samba bem humorado, como Sodade Matadera, influênciou muito esse gênero, servindo de referência para outros artistas/humoristas como Adoniran Barbosa, compositor de Tiro ao Álvaro. Outra vertente que Caymmi caracterizou bem foi o chamado samba-exaltação, aquele que fala das terras e culturas brasileira de forma idealista. Foi esse tipo de samba que conquistou o mundo afora, formando boa parte do estereótipo brasileiro, de praiano de bem com a vida. Um exemplo claro é a música Você já foi à Bahia?, que fez parte do filme homônimo da Disney (The Three Caballeros, na versão original).

Você já foi à Bahia?, versão original. Clique aqui para ouvir a versão do filme da Disney.

João Gilberto

Nascido no sertão baiano, na cidade de Juazeiro, na década de 30, João Gilberto logo cedo se mostrou nascido para a música. Com sete anos, percebeu um erro no órgão da igreja mesmo quando um coro imenso cantava! Esse ouvido absoluto mais tarde se transformaria em um perfeccionismo extremo, que inclusive o faria abandonar shows por ele considerar sem a acústica adequada.

Tido como o papa da Bossa Nova, João Gilberto antes dos 12 já tocava percussão em grupos musicais. Aos 14 começou ganhou um violão, e o constante contato com o samba de Dorival Caymmi e de jazzistas americanos como Duke Ellington já o preparavam para criar o ritmo Bossa Nova, que mistura exatamente os dois gêneros.

Sua carreira começou de fato na década de 50, e logo se tornou uma lenda viva. Basta pensar no sucesso que a Bossa Nova fez e faz no mundo até hoje e nos inúmeros prêmios que ganhou. Como se não bastasse, seu trabalho foi primordial na formação de outros grandes músicos brasileiros.

Chega de Saudade, de Tom Jobim, interpretado por João Gilberto.

Pitty

Apesar de atualmente a música baiana ser relacionada às cantoras de axé, não podemos esquecer que o legado de Raul Seixas ainda está presente em bom tom. Pitty, por exemplo, teve o cantor como uma das principais influências na sua formação musical. Nascida em Salvador e criada em Porto Seguro, a baiana é filha de músico e dono de bar, e desde cedo esteve em contato com cantores nacionais e internacionais dos anos 60 e 70. Quando decidiu seguir a carreira musical, o destino não poderia ser outro, e hoje Pitty é uma das roqueiras mais bem sucedida do país.

Não deixando de lado seu espírito mais calmo e melancólico, a cantora fundou em 2011 com seu conterrâneo Martin a banda Agridoce, que faz um folk que mostra que gêneros gringos podem ser cantando em português sem o menor problema, ao contrário do que muito se prega.

Me Adora, um dos maiores sucessos da cantora.

Caetano Veloso e Maria Bethânia

Santo Amaro é uma cidadezinha histórica. Não só pelos seus mais de quatrocentos anos de existência mas por dar ao mundo não um, como se não bastasse, mas dois músicos que ajudaram a moldar a música brasileira contemporânea. Em 1942 a hoje finada Dona Canô dava à luz a Caetano Veloso, o quinto de oito filhos. Quatro anos mais tarde, nascia Maria Bethânia, que nasceu já musical: seu nome veio em homenagem à canção de Nelson Gonçalves com o mesmo nome, música que fazia sucesso na época.

Coração Ateu, de Maria Bethânia, que não é, por sinal, de fato atéia.

Uma curiosidade que merece atenção é que Maria Bethânia, apesar de mais nova, foi quem iniciou no mercado musical primeiro. No início dos anos 60 ela assinou contrato com uma gravador e daí passou a fazer parcerias com Caetano. Em carreira solo e com o grupo Doces Bárbaros (que também contava com Bethânia e Gilberto Gil), Caetano guiou o movimento Tropicália para valorizar a música nacional. E como fizeram isso? Com misturas que é a genuinamente brasileira. Elementos do rock, pop, bossa nova, samba, entre outros fizeram parte do gênero que hoje nos referimos como MPB (Música Popular Brasileira).

Tropicália, um ótimo exemplo da mistura que o Tropicalismo faz.

Gilberto Gil

O filho de médico nasceu na capital Salvador, mas logo cedo se mudou para Ituaçu, na época um vilarejo da Bahia. Voltando à capital para estudar, o pequeno Gil ganhou um violão da mãe e conheceu as música de João Gilberto. Prática vai, prática vem, e o sucesso de Gil foi um resultado natural. Ao lado de Caetano Veloso, propagou o movimento Tropicalismo e, como não podia deixar de ser, incomodou muito os militares com suas músicas de protesto.

Exilado, assim como vários parceiros musicais (como Caetano Veloso), Gilberto Gil passou a viver em Londres e a compor para o público europeu. Inevitavelmente, ganhou conceito lá, e só voltou ao Brasil na década de 70.

Vamos Fugir, um dos maiores sucessos de Gilberto Gil.

Com certeza tem muitos outros artistas baianos que mereciam ser citados. Se você lembra de algum, deixe nos comentários!

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Thom Yorke aposta em nova dança bizarra

Desta vez não foi com o Radiohead, mas com a banda Atoms For Peace, um projeto paralelo que inclui o baixista Flea (Red Hot Chili Peppers) e até um brasileiro, Mauro Refosco. A banda existe desde 2009, e lançou nesta quinta-feira (28/02/2013) um videoclipe da música Ingenue. Nem a direção escapou dos holofotes: Garth Jennings, que também dirigiu o famoso “clipe da caixinha de leite” (Coffee and TV, do Blur).

Se já não é bizarro o suficiente imaginar Flea e Thom Yorke na mesma banda com uma música experimental, é só acrescentar dança contemporânea. Tudo fica mais bizarro com dança contemporânea. Mas, dessa vez, a impressão que me passou foi de mais do mesmo, já que ano retrasado Thom Yorke tinha feito uma dança tão esquisita quanto, mas mais improvisada e intimista, no viral Lotus Flower. Acrescente o fato que agora há uma dançarina profissional no vídeo, dificultando bastante os passos de Yorke. Em palavras mais sinceras, senti que Ingenue ficou às sombras de  Lotus Flower, tanto musicalmente quanto cinegraficamente.

A grande verdade é que dança nunca foi uma arte que me comoveu ou que entendi. Que diria da dança contemporânea, então. Há quem goste do trabalho, mas obviamente não é meu caso, sou indiferente. Quanto a música, não é ruim, mas deixa a desejar quando sabemos dos integrantes da banda. Mas não me entenda mal, eu até gostei da música. Verdade seja dita, eu provavelmente gostaria até de ouvir Camaro Amarelo na voz de Thom Yorke. Há uma influência muito grande de Radiohead, especificamente dessa nova fase experimental do álbum The Kings of Limbs. Para seu próprio bem, não espere nada de RHCP na música!

Será se o vídeo se torna outro viral? Talvez até se torne, visto a grande propaganda em torno da ‘nova dança bizarra de Thom Yorke’. Eu mesmo estou ajudando na divulgação ao escrever esse post, mas só você pode julgar se merece essa atenção toda.

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Conheça as apostas de bandas para 2013 (índice)

Um novo ano chegou e, entre todas as bem-aventuranças, esperamos também surpresas. Quais bandas farão sucesso? Quais estão se formando? Quais alcançarão o reconhecimento que merecem? Pensando nisso, apresento aqui uma série de postagens de bandas que eu acredito que tem tudo para multiplicarem seus fãs no ano de 2013. Potencial, no mínimo, elas têm.

Essas incógnitas são tão relativas quanto descobrir quem será o próximo campeão brasileiro, pelo menos para nós, meros mortais apreciadores de boa música. Mas eu garanto que olheiros e produtores musicais suaram o ano inteiro identificando tendências e buscando investir em bandas que prometem. Esses bastidores, porém, são totalmente alheios a minha realidade como blogueiro, então tenho que me contentar em apostar nas bandas que já lançaram algum trabalho, seja um álbum de estréia ou um EP. As bandas citadas, portanto, entraram definitivamente no mercado em 2012, e a perspectiva mostrada é de que suas obras ganharão mais reconhecimento neste ano de 2013.

 

1- FOSSIL COLLECTIVE

Começo pela banda britânica Fossil Collectives. Em 2009 a banda Vib Gyor, dona de um rock alternativo aspirante a Radiohead (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

 

2- GARBO & ARABEL

 

Apresento a vocês a banda candanga de rock/reggae com muita mistura Garbo & Arabel. Conversei com o vocalista e um dos compositores Caio Chaim (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

 

3- PEACE

Em 2011 a banda dos irmãos Koisser começou os primeiros ensaios. Antes mesmo de lançar qualquer disco ou EP, eles já estavam fazendo tour por outros países! (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

4- HAIM

Haim é uma banda de meninas. Mas não confunda as coisas: não é uma banda só para meninas. As irmãs californianas Este, Danielle e Alana Haim começaram a tocar pop rock bem mais novas só por diversão (…) – CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA COMPLETA E OUVIR AS MÚSICAS DA BANDA.

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Apostas para 2013 – Haim (4)

Haim é uma banda de meninas. Mas não confunda as coisas: não é uma banda só para meninas. As irmãs californianas Este, Danielle e Alana Haim começaram a tocar pop rock bem mais novas só por diversão quando em 2006 começaram a levar a banda a sério. Após muito estudo e prática – sim, todas elas tocam algum instrumento, fato que, na minha opinião, aumenta muito a credibilidade de uma banda – elas lançaram o primeiro EP em Julho de 2012 (e um single em novembro).

Apesar de não ter se destacado nas paradas musicais, a música das meninas cativou um público fiel e também alguns críticos, faturando nessa brincadeira o título de “Som de 2013” da BBC e o quarto lugar na lista de melhores faixas de música com Forever, divulgado pela especializada NME. Outras músicas como Don’t Save MeWire também se destacaram no público, talvez sendo o trio de faixas que melhor representa o trio de irmãs.

Se atentarmos para o fato de que a banda lançou apenas 6 músicas, o que não dá nem um álbum, e já conseguiu tais feitos somados aos milhões de acesso no Youtube, não há nenhuma surrealidade em ver um grande potencial no gurpo. Tecnicamente falando, aprecio a voz e o carisma da vocalista, além da integração das irmãs como instrumentista. O gênero que melhor descreve é o pop, mas há elementos marcantes de rock e eletrônica também. Por outro lado, admito que, apesar do apoio da crítica, não me identifico tanto com o som da banda.

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Apostas para 2013 – Peace (3)

Em 2011 a banda dos irmãos Koisser começou os primeiros ensaios. Antes mesmo de lançar qualquer disco ou EP, eles já estavam fazendo tour por outros países! Obviamente, não era nenhuma superprodução, mas com certeza foi um incentivo a mais para a banda lançar algo que mostrasse todo o potencial. E assim fizeram. O resultado mais recente foi o EP de estréia Delicious, lançado em setembro do ano passado. Rotulada como indie rock, a banda mostra ousadia e confiança ao inserir experimentalismo e elementos do post-rock logo nas primeiras gravações. “Costumávamos nos sentir esbarrados por nosso som parecer muito funk, muito house, rock clássico, moderno psicodélico ou sei lá o que. Acho que na verdade, não importa, contanto que você esteja aproveitando”, disse o vocalista Harrison Koisser.

Perguntado como se sentia com os comentários positivos do NME, Harrison diz: Minha mãe adorou!

Obviamente a banda não deixou de fazer músicas mais comerciais. E funcionou, visto que duas das quatro músicas do EP figuraram entre as 50 melhores do ano na lista do NME, site especializado. Bloodshake e California Daze merecem o crédito, mas vale a pena ouvir as outras músicas.

Sempre bem-humorados, os integrantes da banda não parecem levar as expectativas do mercado a sério. Isso acaba sendo importante, pois mostra que a banda prefere fazer um som honesto e legítimo do que ser mais uma meramente comercial, feita para vender. Até mesmo quando perguntado sobre coisas de relativa seriedade, como quais são os planos para esse ano, Harrison brinca: “Tentar fazer um álbum, acho. Tentar não ficar parado assistindo filmes do Jim Carrey ou essas coisas. Isso seria legal, acho”. Entre tantos achismos, uma certeza: vale a pena esperar para ouvir os prometidos próximos trabalhos da banda.

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Apostas para 2013 – Garbo & Arabel (2)

Na segunda postagem da série “Apostas para 2013”, onde eu identifico bandas com potencial de aumentar seu público e conceito, apresento a vocês a banda candanga de rock/reggae com muita mistura Garbo & Arabel. Conversei com o vocalista e um dos compositores Caio Chaim, que além de músico é estudante de Direito na Universidade de Brasília. Os outros integrantes, Iani Zeigerman (guitarra rítmica), Matheus Rocha (guitarra melódica), Breno Rocha (baixo) e Saulo Santos (bateria) também estudam seus respectivos cursos, o que acaba prejudicando na dedicação da banda. Zeigerman, por exemplo, está em um intercâmbio, e Caio ocupa provisoriamente a guitarra. Mas Caio garante que o que não falta é vontade: “A vontade de todo mundo era jogar tudo pro alto e se focar na música, que sem dúvidas é nosso grande sonho… Mas falta coragem, infelizmente. Quem sabe com as coisas crescendo mais e mais a gente se acerta”.

Partindo para a sonoridade do grupo, não hesito em afirmar que esta é uma das muitas bandas com tantas influências que não dá pra rotular sistematicamente. Logo no primeiro parágrafo disse que era rock e reggae por ser o gênero mais destacado, mas percebe-se elementos do pop e MPB. Em um panorama geral, lembra Skank e até Móveis Coloniais de Acaju, portanto se você curte o jeito brasileiro de fazer bom som, a banda é mais que recomendada.

Nas letras das músicas, por outro lado, vemos influências mais consolidadas. A poesia, como a melodia, flui com tanta naturalidade que estranhamos o anonimato da banda no cenário nacional. Músicas como Brasília e Morena Singela são ótimos pedidos. E como aperitivo, não conseguimos provar só um, acabamos ouvindo as outras músicas. Caio diz que, como letrista, seus maiores inspiradores são Renato Russo, Vinícius de Moraes e Rodrigo Amarante (ex-Los Hermanos). É Ela (clique aqui e ouça), de Iani Zeigerman, também não deixa a desejar, lembrando que a banda não é só o Caio. O baixo de Breno Rocha, por exemplo, é arrebatador, e me faz relembrar que música sem baixo não é a mesma coisa.

Garbo & Arabel, diferente das outras bandas da “Apostas para 2013”, não tem discografia. Ou melhor, não na maneira convencional (como álbum), mas a banda disponibiliza 10 músicas com qualidade de estúdio no site SoundCloud (clique aqui para visitar). Também é possível ver no Youtube vídeos acústicos com Chaim, como Brasília, cantada à beira do Lago Paranoá, música que já passou das 6 mil visualizações. A banda vem fazendo diversas apresentações, e pela qualidade das canções já gravadas, apostaria alto como uma banda que logo conquista o sucesso que merece.

Acompanhe um trecho da entrevista com Caio Chaim:

Me Dá Um Lá: Quando a banda se formou? Quais foram as maiores conquistas até hoje?

Caio: A origem da banda é um pouco nebulosa… Nos reunimos, em um primeiro momento -meados de 2010 -, para tocar covers. Mas inventei de escrever um dia, e acabou que viramos autorais. No início, como não tínhamos nada muito concreto e cada um compunha no seu canto, nos reuníamos muito pouco. Só em 2012 que decidi levar a sério o projeto, e todos toparam. Demos nosso primeiro show no dia do meu aniversário, em 19 de maio, e de lá pra cá o reconhecimento tem sido crescente.
Acho que nossa maior conquista, até agora, é o reconhecimento que alcançamos. Em menos de 8 meses, estamos participando ativamente do cenário musical brasiliense, com um público relativamente fiel já conquistado.
Muitas vezes amigos meus vem falar que estão ouvindo músicas nossas, e uma vez vi um cara que eu não tenho ideia de quem seja cantando Doce (outra faixa nossa) na rua. Sem dúvidas isso é o que mais me alegra, esse negócio das pessoas trazerem pra si, pra sua vida corriqueira, o nosso som. Faço música é pra isso, pra permear a vida das pessoas.
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Me Dá Um Lá: O que você acha do cenário atual da música candanga?

0Caio: Essa é a pergunta certa para o cara certo. Sou apaixonado por Brasília e, antes de tudo, um sonhador. Sempre tive a intenção de chamar atenção não somente para a minha música, mas para a que é produzida aqui no Planalto Central. Eu não sei o que acontece, mas acho que a aura de Brasília fornece uma inspiração muito pura pra quem consegue abrir os olhos pra ela. É por isso já saiu tanta gente talentosa daqui, desde o gênio Renato Russo, uma das minhas duas maiores inspirações como letrista, Cássia Eller, Zélia Duncan (que não nasceu aqui, mas é brasiliense por opção), até Natiruts e Raimundos.

E não deixa de ser assim com essa novíssima geração que está surgindo. O cenário candango, nesse exato momento, é absurdamente fértil, muita gente boa tá aí esperando pra ser descoberta. Claro que depende um pouco de sorte e de contato, mas qualidade e genialidade é o que não falta.

Se você me der licença, queria citar algumas dessas bandas e músicos que julgo serem diferenciados, e que tenho o orgulho de dizer que conheci,fosse por circunstâncias da vida corriqueira, fosse por nos cruzarmos no cenário cultural de Brasília: os parceiros do Lusco-Fusca, banda de reggae genuíno do Planalto Central, que tem letras fantásticas; Sérgio Dall’Orto, pequeno gênio na poesia também, a meu ver uma das maiores promessas do rap nacional; Verano, que já tocou algumas vezes conosco pela similaridade do som, e o Da Silva, banda do reconhecidíssimo Cláudio Bull (ex-Superquadra), que vem como cabeça de chave no pop daqui da capital.

Me Dá Um Lá: Eu gostaria de saber como que é o processo de composição. Quando você começou a compor, quais as dificuldades, como o público e seus amigos/familiares reagem à suas músicas e ao Caio Chaim como músico…
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Caio: Sou mais ligado às letras do que aos arranjos, sem dúvidas. Meu processo criativo não tem um padrão de lógica certo, mas na maioria das vezes a relação entre a letra e a melodia da voz é o que me guia. Vou “conhecendo” a música de pouco em pouco – na linha de Paul Mccartney e Yesterday, com a técnica do “scrambled eggs” (risos). Quando já sei qual a métrica possível de se encaixar em cada parte, vou improvisando com coisas que penso todos os dias, ou com algo que eu veja na hora.

O início é sempre complicado, como pra qualquer coisa nova com a qual você se depare. Minhas letras iniciais, por exemplo, eram terríveis (risos). Muito bobinhas, palavras batidas, essas coisas. À medida que o tempo passou, fui amadurecendo e sou bem satisfeito com meu trabalho hoje.

A resposta do público e da família é a melhor possível! Todo mundo vem me passar a impressão inicial, e quase sempre ela é ótima! Acho que só uma música o povo esculachou, e essa aí nem existe mais depois disso (risos)
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Me Dá Um Lá: Você acha que se encaixa mais no cenário independente ou almeja atingir um grande público comercial, esperando apenas a oportunidade? Como a banda reage a esses “dois lados” do mercado musical?
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Caio: Não sou adepto dessa classificação de “independente” e “comercial”, acho que não faz muito sentido, a não ser que se esteja falando de dinheiro. Se o parâmetro for esse, com certeza nos colocaria no cenário independente (risos). Pra mim, música não se faz só pra si, o destinatário inicial dela sempre é outra pessoa. Isso desemboca, consequentemente, em um grande público “comercial”, em caso de sucesso. E é claro que almejo isso, faço minhas letras pensando em pessoas, em coisas que acho que todo mundo pensa, pra que elas se identifiquem com o que eu falo e tragam minha mensagem pro dia a dia, pra determinado momento. É o caso das mensagem principais de (Sub)Consciente e Morena Singela, por exemplo.

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Me Dá Um Lá: Por fim, uma pergunta mais trivial: se você pudesse em um estalar de dedos saber tocar um instrumento novo, qual seria?
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Caio: Sem sombra de dúvidas, piano. Acho o mais belo de todos, me arrependo de não ter entrado em contato quando pequeno, mas ainda espero ter tempo de aprender!

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