Archive | janeiro 2013

Apostas para 2013 – Peace (3)

Em 2011 a banda dos irmãos Koisser começou os primeiros ensaios. Antes mesmo de lançar qualquer disco ou EP, eles já estavam fazendo tour por outros países! Obviamente, não era nenhuma superprodução, mas com certeza foi um incentivo a mais para a banda lançar algo que mostrasse todo o potencial. E assim fizeram. O resultado mais recente foi o EP de estréia Delicious, lançado em setembro do ano passado. Rotulada como indie rock, a banda mostra ousadia e confiança ao inserir experimentalismo e elementos do post-rock logo nas primeiras gravações. “Costumávamos nos sentir esbarrados por nosso som parecer muito funk, muito house, rock clássico, moderno psicodélico ou sei lá o que. Acho que na verdade, não importa, contanto que você esteja aproveitando”, disse o vocalista Harrison Koisser.

Perguntado como se sentia com os comentários positivos do NME, Harrison diz: Minha mãe adorou!

Obviamente a banda não deixou de fazer músicas mais comerciais. E funcionou, visto que duas das quatro músicas do EP figuraram entre as 50 melhores do ano na lista do NME, site especializado. Bloodshake e California Daze merecem o crédito, mas vale a pena ouvir as outras músicas.

Sempre bem-humorados, os integrantes da banda não parecem levar as expectativas do mercado a sério. Isso acaba sendo importante, pois mostra que a banda prefere fazer um som honesto e legítimo do que ser mais uma meramente comercial, feita para vender. Até mesmo quando perguntado sobre coisas de relativa seriedade, como quais são os planos para esse ano, Harrison brinca: “Tentar fazer um álbum, acho. Tentar não ficar parado assistindo filmes do Jim Carrey ou essas coisas. Isso seria legal, acho”. Entre tantos achismos, uma certeza: vale a pena esperar para ouvir os prometidos próximos trabalhos da banda.

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Apostas para 2013 – Garbo & Arabel (2)

Na segunda postagem da série “Apostas para 2013”, onde eu identifico bandas com potencial de aumentar seu público e conceito, apresento a vocês a banda candanga de rock/reggae com muita mistura Garbo & Arabel. Conversei com o vocalista e um dos compositores Caio Chaim, que além de músico é estudante de Direito na Universidade de Brasília. Os outros integrantes, Iani Zeigerman (guitarra rítmica), Matheus Rocha (guitarra melódica), Breno Rocha (baixo) e Saulo Santos (bateria) também estudam seus respectivos cursos, o que acaba prejudicando na dedicação da banda. Zeigerman, por exemplo, está em um intercâmbio, e Caio ocupa provisoriamente a guitarra. Mas Caio garante que o que não falta é vontade: “A vontade de todo mundo era jogar tudo pro alto e se focar na música, que sem dúvidas é nosso grande sonho… Mas falta coragem, infelizmente. Quem sabe com as coisas crescendo mais e mais a gente se acerta”.

Partindo para a sonoridade do grupo, não hesito em afirmar que esta é uma das muitas bandas com tantas influências que não dá pra rotular sistematicamente. Logo no primeiro parágrafo disse que era rock e reggae por ser o gênero mais destacado, mas percebe-se elementos do pop e MPB. Em um panorama geral, lembra Skank e até Móveis Coloniais de Acaju, portanto se você curte o jeito brasileiro de fazer bom som, a banda é mais que recomendada.

Nas letras das músicas, por outro lado, vemos influências mais consolidadas. A poesia, como a melodia, flui com tanta naturalidade que estranhamos o anonimato da banda no cenário nacional. Músicas como Brasília e Morena Singela são ótimos pedidos. E como aperitivo, não conseguimos provar só um, acabamos ouvindo as outras músicas. Caio diz que, como letrista, seus maiores inspiradores são Renato Russo, Vinícius de Moraes e Rodrigo Amarante (ex-Los Hermanos). É Ela (clique aqui e ouça), de Iani Zeigerman, também não deixa a desejar, lembrando que a banda não é só o Caio. O baixo de Breno Rocha, por exemplo, é arrebatador, e me faz relembrar que música sem baixo não é a mesma coisa.

Garbo & Arabel, diferente das outras bandas da “Apostas para 2013”, não tem discografia. Ou melhor, não na maneira convencional (como álbum), mas a banda disponibiliza 10 músicas com qualidade de estúdio no site SoundCloud (clique aqui para visitar). Também é possível ver no Youtube vídeos acústicos com Chaim, como Brasília, cantada à beira do Lago Paranoá, música que já passou das 6 mil visualizações. A banda vem fazendo diversas apresentações, e pela qualidade das canções já gravadas, apostaria alto como uma banda que logo conquista o sucesso que merece.

Acompanhe um trecho da entrevista com Caio Chaim:

Me Dá Um Lá: Quando a banda se formou? Quais foram as maiores conquistas até hoje?

Caio: A origem da banda é um pouco nebulosa… Nos reunimos, em um primeiro momento -meados de 2010 -, para tocar covers. Mas inventei de escrever um dia, e acabou que viramos autorais. No início, como não tínhamos nada muito concreto e cada um compunha no seu canto, nos reuníamos muito pouco. Só em 2012 que decidi levar a sério o projeto, e todos toparam. Demos nosso primeiro show no dia do meu aniversário, em 19 de maio, e de lá pra cá o reconhecimento tem sido crescente.
Acho que nossa maior conquista, até agora, é o reconhecimento que alcançamos. Em menos de 8 meses, estamos participando ativamente do cenário musical brasiliense, com um público relativamente fiel já conquistado.
Muitas vezes amigos meus vem falar que estão ouvindo músicas nossas, e uma vez vi um cara que eu não tenho ideia de quem seja cantando Doce (outra faixa nossa) na rua. Sem dúvidas isso é o que mais me alegra, esse negócio das pessoas trazerem pra si, pra sua vida corriqueira, o nosso som. Faço música é pra isso, pra permear a vida das pessoas.
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Me Dá Um Lá: O que você acha do cenário atual da música candanga?

0Caio: Essa é a pergunta certa para o cara certo. Sou apaixonado por Brasília e, antes de tudo, um sonhador. Sempre tive a intenção de chamar atenção não somente para a minha música, mas para a que é produzida aqui no Planalto Central. Eu não sei o que acontece, mas acho que a aura de Brasília fornece uma inspiração muito pura pra quem consegue abrir os olhos pra ela. É por isso já saiu tanta gente talentosa daqui, desde o gênio Renato Russo, uma das minhas duas maiores inspirações como letrista, Cássia Eller, Zélia Duncan (que não nasceu aqui, mas é brasiliense por opção), até Natiruts e Raimundos.

E não deixa de ser assim com essa novíssima geração que está surgindo. O cenário candango, nesse exato momento, é absurdamente fértil, muita gente boa tá aí esperando pra ser descoberta. Claro que depende um pouco de sorte e de contato, mas qualidade e genialidade é o que não falta.

Se você me der licença, queria citar algumas dessas bandas e músicos que julgo serem diferenciados, e que tenho o orgulho de dizer que conheci,fosse por circunstâncias da vida corriqueira, fosse por nos cruzarmos no cenário cultural de Brasília: os parceiros do Lusco-Fusca, banda de reggae genuíno do Planalto Central, que tem letras fantásticas; Sérgio Dall’Orto, pequeno gênio na poesia também, a meu ver uma das maiores promessas do rap nacional; Verano, que já tocou algumas vezes conosco pela similaridade do som, e o Da Silva, banda do reconhecidíssimo Cláudio Bull (ex-Superquadra), que vem como cabeça de chave no pop daqui da capital.

Me Dá Um Lá: Eu gostaria de saber como que é o processo de composição. Quando você começou a compor, quais as dificuldades, como o público e seus amigos/familiares reagem à suas músicas e ao Caio Chaim como músico…
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Caio: Sou mais ligado às letras do que aos arranjos, sem dúvidas. Meu processo criativo não tem um padrão de lógica certo, mas na maioria das vezes a relação entre a letra e a melodia da voz é o que me guia. Vou “conhecendo” a música de pouco em pouco – na linha de Paul Mccartney e Yesterday, com a técnica do “scrambled eggs” (risos). Quando já sei qual a métrica possível de se encaixar em cada parte, vou improvisando com coisas que penso todos os dias, ou com algo que eu veja na hora.

O início é sempre complicado, como pra qualquer coisa nova com a qual você se depare. Minhas letras iniciais, por exemplo, eram terríveis (risos). Muito bobinhas, palavras batidas, essas coisas. À medida que o tempo passou, fui amadurecendo e sou bem satisfeito com meu trabalho hoje.

A resposta do público e da família é a melhor possível! Todo mundo vem me passar a impressão inicial, e quase sempre ela é ótima! Acho que só uma música o povo esculachou, e essa aí nem existe mais depois disso (risos)
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Me Dá Um Lá: Você acha que se encaixa mais no cenário independente ou almeja atingir um grande público comercial, esperando apenas a oportunidade? Como a banda reage a esses “dois lados” do mercado musical?
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Caio: Não sou adepto dessa classificação de “independente” e “comercial”, acho que não faz muito sentido, a não ser que se esteja falando de dinheiro. Se o parâmetro for esse, com certeza nos colocaria no cenário independente (risos). Pra mim, música não se faz só pra si, o destinatário inicial dela sempre é outra pessoa. Isso desemboca, consequentemente, em um grande público “comercial”, em caso de sucesso. E é claro que almejo isso, faço minhas letras pensando em pessoas, em coisas que acho que todo mundo pensa, pra que elas se identifiquem com o que eu falo e tragam minha mensagem pro dia a dia, pra determinado momento. É o caso das mensagem principais de (Sub)Consciente e Morena Singela, por exemplo.

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Me Dá Um Lá: Por fim, uma pergunta mais trivial: se você pudesse em um estalar de dedos saber tocar um instrumento novo, qual seria?
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Caio: Sem sombra de dúvidas, piano. Acho o mais belo de todos, me arrependo de não ter entrado em contato quando pequeno, mas ainda espero ter tempo de aprender!

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Apostas para 2013 – Fossil Collective (1)

Um novo ano chegou e, entre todas as bem-aventuranças, esperamos também surpresas. Quais bandas farão sucesso? Quais estão se formando? Quais alcançarão o reconhecimento que merecem? Pensando nisso, apresento aqui uma série de postagens de bandas que eu acredito que tem tudo para multiplicarem seus fãs no ano de 2013. Potencial, no mínimo, elas têm.

Essas incógnitas são tão relativas quanto descobrir quem será o próximo campeão brasileiro, pelo menos para nós, meros mortais apreciadores de boa música. Mas eu garanto que olheiros e produtores musicais suaram o ano inteiro identificando tendências e buscando investir em bandas que prometem. Esses bastidores, porém, são totalmente alheios a minha realidade como blogueiro, então tenho que me contentar em apostar nas bandas que já lançaram algum trabalho, seja um álbum de estréia ou um EP. As bandas citadas, portanto, entraram definitivamente no mercado em 2012, e a perspectiva mostrada é de que suas obras ganharão mais reconhecimento neste ano de 2013.

Dave Fendick (esquerda) e Jonny Mulroy, fundadores do Fossil Collective.

Começo pela banda britânica Fossil Collectives. Em 2009 a banda Vib Gyor, dona de um rock alternativo aspirante a Radiohead, se dissolveu. Mas nem tudo foi deixado para trás: Dave Fendick e Jonny Mulroy, dois ex-integrantes, fundaram em meados de 2010 Fossil Collective. A nova banda tem uma levada muito mais folk, e a experiência dos discos anteriores do Vib Gyor agregam muita qualidade. A relativa fama da ex-banda também ajudou na divulgação de Fossil Collective.

O ano de 2012 foi bem significativo para a banda. Jonny Mulroy disse em uma entrevista que as apresentações e todo o suporte dos fãs e apreciadores foram um dos pontos altos do ano passado. Por que não seria também em 2013? A musicalidade da banda é incrivelmente reconfortante, a exemplo de Let It Go, sua música mais famosa, e homônimo do primeiro EP lançado em Junho deste ano. On and On, outro EP lançado quatro meses depois, não foge à regra. Músicas essenciais para conhecer a banda: Let It Go, On and On, Silent Alarm e Satellite.

Esse ano a banda faz a primeira turnê, infelizmente se restringindo à Inglaterra. Após um primeiro passo em 2012 com músicas de qualidade e uma exposição mínima, acredito que a banda só tem a crescer. Se você aprecia qualquer estilo de folk (o gênero reconquista cada vez mais o mundo) e rock alternativo, a banda é altamente recomendável. Com as próprias palavras de Dave Fendick, “Tem muitas bandas que gostamos dos anos 70 e 80. Neil Young, Simon & Garfunkel (…). Também somos muito inspirados por artistas contemporâneos como Bon Iver, Fleet Foxes, Sigur Rós…“. Se você gosta destes, vale muito a pena conferir. Que os shows na Inglaterra invadam o mundo!

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Todas as músicas sempre existiram. O que fazemos é descobrí-las.

* Esse texto é um devaneio. E como tal, tem todo o direito de soar insano e irreal.

Um dia desses vi uma entrevista do Jack White, vocalista e compositor do ex-White Strips, em que faz um comentário muito interessante sobre composições:

“(…) A música já está lá no ar ou qualquer coisa assim. Você apenas… meio que a ajuda a existir. Você a administra ou a direciona ou aponta para onde ela supostamente deve ir ou algo assim. Você realmente não pega egocentricamente a glória interna ou crédito por qualquer das canções que vêm pelo estúdio ou pela sua presença. Você apenas está lá para ajudá-las a existir. (…) De certa forma as canções já estão lá. Quando alguém diz ‘eu escrevi essa canção’, isso não é totalmente verdade. O melhor que eu acho que posso fazer quando estou escrevendo uma canção é me posicionar fora do caminho. Não dizer tanto o que ela deve fazer. Não dizer ‘ela deve mudar aqui’, ‘vou fazer isso’, ‘esta vai ser uma canção country’, ‘esta vai ser um rock’n roll’. Ela já existe, ela já aconteceu, apenas afaste-se. Quanto mais você se afasta, mais ela existe e melhor a canção é. E é difícil tomar crédito por isso”.

O mundo das ideias de Platão parece bem real para Jack White.

A primeira impressão que essas palavras passam é de uma essência muito metafísica ou metafórica. Soa artificial e até romântico demais, como se fossem palavras bonitas ao vento para parecer frase de efeito. Por algum motivo, esse comentário de White ficou tanto na minha mente que não pude deixar de pensar nisso de uma forma mais literal. De repente, realmente, todas as músicas por si só já existem. Mas não me apedrejem ainda, aqui exponho meu argumento.

A afirmativa soa muito abstrata, pois não parece plausível que exista um purgatório com todas as músicas que foram, estão sendo e serão feitas. Lembra até o famigerado mundo das idéias de Platão. Mas não tente enxergar assim. Tenha o coração e mente abertos e tente enxergar a ‘música’ que White fala como uma composição, ou seja, harmonia (basicamente a sequência de acordes/notas) e melodia (simplificando, o que você canta, ignorando a letra) – decore esses termos. Não imagine ‘É o Amor’ como o sertanejo que ouvimos – ou ouvíamos – no rádio, mas como aquela cifra que você busca na internet. Pronto, estamos de acordo? Agora vamos para a parte realmente louca.

Se você não entende nada de música sabe, no mínimo, que existem sete notas musicas (dó, ré, mi…). Ninguém simplesmente chega e inventa uma nota. Se você entende um pouco mais, sabe que essas notas têm intermédios (dó sustenido, por exemplo) e variações (dó com sétima aumentada, por exemplo). Então, sim, são muitas notas no final das contas e, ainda, muito mais possibilidades de arranjo. Porém, para fazer uma harmonia musical, não dá pra sair tocando qualquer nota aleatória porque fica um som desconfortável. Existe uma lógica por trás das composições, uma lógica na sequência de acordes. Portanto, devemos concordar que, apesar de existirem muitas possibilidades de harmonias musicais, existe uma porção reduzida de harmonias confortáveis.

Por outro lado, para cada harmonia musical, existe ainda muitas outras possibilidades de melodias. Não são infinitas porque, como vimos, existem finitas notas musicais. Para você ter uma idéia de como é possível fazer várias melodias em cima de uma única harmonia, veja esse vídeo do Screaptease onde os caras pegaram várias músicas famosas que tem os mesmo acordes.

Então, no final das contas, existem várias e várias possibilidades de composição (excluindo as que seriam, consideradas plágio – clique aqui para ver mais sobre plágio). E preste atenção à essa palavra: POSSIBILIDADE. Acredito que o que Jack White quis dizer com “as músicas já existem” é que, assim que ele toca o primeiro acorde de uma nova composição, ele está restringindo ainda mais as possibilidades de criação. Por que? Exatamente porque, como eu disse anteriormente, não dá pra tocar notas aleatórias porque fica desconfortável. No final das contas, o trabalho do músico compositor é exatamente conduzir a música. A possibilidade de sair aquela composição final (harmonia e melodia) já existia, o que o compositor faz é “descobrir” a música.

Sim, leitor, esse texto é tão confuso e tão insano quanto o título parece. Se você chegou até aqui é um guerreiro, e se conseguiu entender e concordar com o texto, um herói. É um devaneio que achei legal compartilhar, nos faz pensar no que é o mundo fora do que nossos sentidos são capazes de perceber. Imagina que bizarro, por exemplo, se daqui a muitos anos todas as possibilidades de composições diferentes já se esgotarem? Para alguns, isso parece que já aconteceu. Muitas músicas são ‘plágios diferentes que de repente pode até ser bem legal’, como canta Tim Bernardes em 66.

O músico compositor, em sumo, é como um jardineiro. As flores já estão lá, o que ele faz é arranjar e aparar. Ou talvez, lá no fundo, Jack White só falou palavras bonitas ao vento para parecer poético.

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Dia perfeito, música perfeita

O blog esteve meio parado nas últimas semanas, mas volta com mais empenho em 2013. Os sentimentos bem conhecidos provocados pelas férias (moleza, procrastinação e, por que não, preguiça) atacaram minha produção no blog também. Compreensível, mas não justificável, eu sei.

Sendo assim, volto com esse post um tanto quanto curioso: decidi juntar várias músicas homônimas, todas intituladas “Dia Perfeito” ou variações disso. Por coincidência ou, mais provável, incrível momento de inspiração dos artistas aqui apresentados, quase todas as músicas que conheço com esse título são belas obras, muitas vezes figurando entre as melhores do repertório dos respectivos músicos. Para colocar as cartas na mesa, já adianto que esse dia em particular não teve nada de especial para mim, mas o mesmo não posso dizer destes compositores. Eles provavelmente tiveram dias perfeitos quando as compuseram, para haver tanta inspiração.

Um Dia Perfeito – Legião Urbana

Legião tinha um problema sério. Apesar de merecer muito da aclamação que recebe, a banda não conseguia convencer com facilidade e simultaneamente dois elementos: instrumental e letra. O instrumental de estúdio é óbvio, em muitas músicas é fraco e mal elaborado, mas nada que as ótimas composições e as performances agradáveis pudessem suprir. As letras de Renato Russo, apesar de tão endeusada, às vezes (leia-se raramente) simplesmente não colava no todo, fazendo soar artificial demais. Um dia perfeito, felizmente, supera esses problemas e, na minha opinião, é uma das melhores da banda. Arranjo, letra, performance, tudo convence e enche os olhos. Aliás, quase todo o álbum Descobrimento do Brasil (1993) é assim, por isso tão adorado.

Dia Perfeito – Cachorro Grande

Cachorro Grande é uma banda controversa. A banda gaúcha se inspira no rock sessentista e psicodélico, e tenta evitar misturebas com gêneros brasileiros, como faz Los Hermanos. Não que eu não goste das misturebas, eu adoro, mas Cachorro Grande acaba com aquela conversa fiada que não dá pra fazer rock em português. Mas nesta música, uma das minhas favoritas da banda, até misturam um tantinho:  alguém toca bongo, falam de carnaval e até chamaram Paulo Miklos, do Titãs, pra cantar e tocar banjo.

Perfect Day – Lou Reed

O nova-iorquino underground Lou Reed faz uma música muito impactante. Não um impacto agressivo e barulhento, mas singelo e emocionante. Usando muito do spoken word, ou seja, uma música falada, e uma poesia muito bem vinda, Lou Reed é um dos nomes mais importantes da música alternativa. Mas para a sua música mais perfeita (novamente, e obviamente, na minha opinião), Reed abre mão da canção falada. Canta com gosto e apresenta um arranjo arrebatador de piano na música que mostra como seria um dia perfeito e simples em Nova Iorque.

Um Dia Perfeito – Falamansa

Admito que não posso falar do Falamansa com tanta propriedade quanto as bandas anteriores. Mas de uma coisa eu estou certo: nenhum gênero musical é por si só ruim. Existem sertanejos louváveis assim como existem roqueiros desprezíveis. Existe entre os ouvintes brasileiros de música internacional um preconceito injustificável com os ritmos brasileiros, como axé, pagode e forró. Não digo nem de questão de gosto, mas preconceito mesmo, como se todo forró se limitasse a festas superficiais com danças e conotações sexuais. Obviamente não se dão ao trabalho de descobrir clássicos ou contemporâneos sérios como o Falamansa, uma banda que logo estará maior em meu repertório.

Estou certo que existem mais músicas com esse nome. Você conhece alguma que mereça entrar na lista?

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