Archive | maio 2012

Cripta onde Elvis Presley foi enterrado vai a leilão

Um leilão tão mórbido quanto inesperado vai acontecer no dia 23 de junho em Beverly Hills, Califórnia (lugar conhecido por residências de milhares de celebridades). O leiloeiro Darren Julien vai leiloar nada menos que a cripta (construção para guardar o corpo do morto, no caso) onde o corpo do rei do rock Elvis Presley foi guardado quando morreu. O cantor morreu em 1977 e foi enterrado em uma cripta no cemitério Forrest Hill, em Memphis, EUA. Ele ficou lá só por dois meses, pois seu pai havia conseguido a autorização para transferir o corpo para o quintal de sua mansão. Desde então o mausoléu ficou abandonado, até que Julien consegui o direito de leiloá-lo. Pela bagatela de 100.000 dólares (lance inicial, equivalente a  201.739 reais), o arrematador levará também a abertura e o fechamento do cofre e da cripta para o enterro, a lápide e o uso de uma capela para o velório. O novo proprietário, porém, não poderá mover nada da cripta e os encargos de transporte e funeral não estão incluídos.

Interior do mausoléu onde o corpo Elvis foi mantido.

O leilão também incluirá outros objetos de músicos famosos, como uma peça de roupa usada por Amy Winehouse no clipe ‘Rehab’ e um maço de cigarros autografado pelos Beatles. Tenho que admitir que nessa situação eu adoraria ser podre de rico. Imagine só você poder dizer: ‘ei, eu vou ser enterrado no mesmo lugar onde Elvis foi’.

Como se não bastasse, foram leiloados em fevereiro deste ano uma réplica do dente de Elvis, feito pelo seu ex-dentista, e uma coroa feita especialmente para ele enquanto era vivo. Imagino se a falta de grandes ícones hoje em dia não vai afetar o mercado de leilões no futuro. Ou será se alguém pagaria muito caro por uma réplica do dente de Justin Bieber?Fontes: nme.com e oglobo.com.br

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Lime Wire deve 72 trilhões de dólares, dizem representantes da indústria fonográfica

Um grupo da indústria musical dos EUA (Recording Industry Association of America, ou Associação Americana da Indústria Fonográfica, em tradução livre) entrou com um pedido na justiça de que o nosso querido e falecido Lime Wire (programa de compartilhamento de arquivos, principalmente música) deve 72 trilhões de dólares por prejuízo à Associação. 72 trilhões de dólares! Isso é pouco mais que a soma de PIBs (Produto Interno Bruto, ou seja, o que o país produz) do planeta inteiro, para você ter uma idéia. Obviamente, o juiz da sentença considerou o pedido absurdo, e declarou que o site, que foi fechado pela justiça estados-unidense em 2010, pode no máximo ser obrigado a pagar 150.000 dólares por download ilegal, o que daria um total de mais ou menos um bilhão de dólares.

O que isso significa? Significa que tem um incrível número de representantes com retardo mental na indústria fonográfica no mundo, provavelmente idosos sem a mínima noção de como o mercado muda. Ora, se o site Lime Wire recebia milhões de visitas diariamente, quer dizer que o produto, ou seja, o trabalho de certa banda, está tendo um alcance no mínimo incrível. Antes do advento da internet era completamente penoso e até questão de sorte uma banda se tornar mundialmente conhecida, o que já não acontece hoje. Inclusive existem várias pesquisas que concluem que download ilegal não prejudica a venda de álbuns. Segundo a pesquisa realizada pela Universidade da Carolina do Norte (que você pode conferir melhor no blog Combate Rock), esses downloads são na verdade uma propaganda para o álbum, da mesma forma que acontece quando as músicas passam na rádio. Obviamente que a gravadora ganha mais dinheiro quando a música passa na rádio, mas a banda alcançará um público maior se disponibilizar a obra na internet. Inclusive vários artistas brasileiros, como Emicida e Rogério Flausino (do Jota Quest), acreditam que a pirataria de músicas é benéfica. Felizmente, o Brasil está se saindo melhor nessa polêmica da pirataria: foi aprovada uma lei que permite fazer cópias de obras (álbuns de artistas, por exemplo) para consumo próprio, sem fins lucrativos. Antes, quem copiasse um CD pra ouvir no carro poderia pegar até quatro anos de prisão (clique aqui para saber mais sobre a lei)! Viva o Brasil.

A indústria fonográfica está quebrando por causa dos downloads ilegais? Não é o que aponta uma pesquisa da Universidade da Carolina do Norte, EUA.

Resumo da ópera: o download dessa forma só é considerado ilegal por causa da mente atrasada dos colarinhos-brancos da indústria musical. A banda em si não terá prejuízo, pois terão mais reconhecimento, farão mais shows e até arrecadarão mais, na maioria dos casos. Sem falar que o compartilhamento livre de informações incentiva e gera uma variedade musical muito maior, afinal mais informação significa mais inspiração, que resulta em maior produção. Eu garanto que é totalmente possível ganhar muito dinheiro nesse novo cenário, basta ver como Radiohead e a banda candanga Móveis Coloniais de Acaju lidam com isso. O problema todo está nas mentes atrasadas que não sabem lidar com mudanças e pedem um absurdo de dinheiro fácil ao invés de se adaptar aos novos consumidores.

Fonte: nme.com e estadao.com.br

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Os 10 melhores musicais do cinema

Talvez por influência dos desenhos da Disney que sempre assistia ou pelo próprio apego que eu tenho com a música, mas sempre gostei muito de musicais, por mais brega que fossem. Inspirado por eles, resolvi listar os 10 melhores musicais do cinema, usando como critério o impacto no cinema, as arrecadações e, lógico, meu gosto pessoal.


 A Ópera do Malandro

Representando o fraquíssimo repertório brasileiro em musicais, coloco A Ópera do Malandro, com trilha sonora e roteiro por Chico Buarque, na lista pelas ótimas músicas. O roteiro não é tão original, fala de malandros, cabarés e contrabando. Uma adaptação da máfia americana para o Rio de Janeiro (a obra é inspirada na Ópera dos Três Vinténs de Bertolt Brecht). Mas a trilha sonora realmente se destaca, com músicas crescentes como ‘O Malandro’ e letras que provocam, como ‘Geni e o Zepelin’. Obra cult, não era de se esperar sucesso no país.

 A Fantástica Fábrica de Chocolate

Em 1971 foi lançado o filme ‘A fantástica fábrica de chocolate’, baseado em um romance homônimo de Roald Dahl, que continha muitas músicas, cenas e histórias fantásticas (no sentido de fantasia mesmo) que logo cativou muitas pessoas, se tornando até um clássico de Sessão da Tarde. Então em 2005 (de novo essa onda de musicais nos anos 2000) o estimado Tim Burton resolveu regravar à sua forma, e o resultado foi um charmoso filmes agora com Johnny Depp na pele de Willy Wonka. Entre as interpretações e o visual especial, se destacam também as músicas, compostas por Danny Elfman. Mas é lógico que a clássica música dos ‘Oompa-Loompas’ continuou com a mesma melodia. Afinal, como as ex-crianças dos anos 70 reagiriam a um ‘oompa-loompa, loompa-lê-lê’ diferente?

 Cantando na Chuva

Um dos musicais responsáveis pela popularização do gênero, estreou em 1952 e marcou o cinema. Até hoje suas musicas são conhecidas (com o tema regravado inclusive por Frank Sinatra) e aquela cena de Gene Kelly cantando na chuva rodando em um poste na rua parece que penetrou na memória popular. Provavelmente uma criança que nunca viu e nem verá o filme conhece a famosa cena. Arrecadou 7,200,000 dólares de bilheteria.

 Os Irmãos Cara-de-pau

“Os irmãos cara de pau” (ou Blue Brothers) é a aventura da dupla de músicos-comediante John Belushi e Dan Aykroyd no cinema. Eles já faziam apresentações de suas músicas na televisão e até passaram a lançar discos. Mas acabaram fazendo mesmo sucesso neste filme, onde representavam vagabundos que querem voltar à vida honesta tocando com sua antiga banda. Entre as cenas de comédia na medida certa, somos agraciados pelas participações especiais de grandes nomes da música, como Aretha Franklin, James Brown e Ray Charles, entre outros. Foi lançado em 1980 e rendeu 115,229,890 dólares nas bilheterias.

 O Fantasma da Ópera

Entre várias refilmagens do romance de Gaston Leroux, se destaca a de 2004, que além de ter uma edição e qualidade sonora e visual melhor que as outras, conta com uma arrecadação de 154,270,000 dólares nas bilheterias. Foi uma surpresa para quem desacreditava que um musical com música erudita (ainda que adaptada para um grande público) fosse fazer sucesso. Assim como quase todos os musicais da lista, há músicas que se tornaram icônicas, sendo reconhecidas até mesmo por quem nunca viu o filme.

 Mary Poppins

Baseada na babá fantástica da escritora P. L. Travers, a Mary Poppins interpretada no filme por Julie Andrews conquistou o mundo de 1964 até os dias de hoje. O musical, além das músicas que marcaram a infância de muitos, mistura cenas de humanos com desenhos animados, e arrecadou 102,272,727 dólares nas bilheterias. O sucesso foi tanto que Julie Andrews virou sinônimo de lucro e qualidade.

 Grease (Nos Tempos da Brilhantina)

Foi simplesmente o musical de cinema mais lucrativo, arrecadando quase 400,000,000 dólares nas bilheterias. Filmado na época de galã de John Travolta, a história que se passa é sobre um bad boy que se apaixona por uma menina comum, mas tem que esconder isso para manter a pose de líder da gangue. A trilha sonora é um disco-pop (com a canção título composta por Barry Gibb, do Bee Gees), mas a trama se passa no final dos anos 50. ‘Summer Nights’ é outro sucesso do filme.

 Across The Universe

Na onda revival de musicais dos anos 2000, alguém teve a ideia genial de fazer um filme inteiro só com as músicas da banda mais bem sucedida da Terra: os Beatles. Esse alguém foi a co-roteirista e diretora Julie Taymor, e seu trabalho resultou em um filme ambientado nos anos 60, que fala da juventude, das guerras, da contra-cultura e muito mais, com cenas incríveis que retratam perfeitamente as músicas dos garotos de Liverpool. Feito para quem admira a banda, para os mais fanáticos (não espere ouvir só os sucessos da banda) e até para quem apenas curte um bom filme, arrecadou 29,367,143 de dólares nas bilheterias. Ótimas atuações, participações especiais de Bono e Joe Cocker e clima fantástico. Destaco a cena do início, onde Jude canta ‘Girl’ e a cena do boliche onde cantam a música ‘I’ve Just Seen A Face’ como minhas preferidas. Se bem que eu prefiro todas as cenas do filme, se é que é possível.

 Jesus Christ Superstar

Lançado em 1973 e com uma versão dos anos 2000 igualmente competente, esse foi um musical polêmico. Realmente, é de se esperar muita crítica dos religiosos quando os últimos dias da vida de Jesus são retratados em um musical atemporal (a trama mostra metralhadoras e tanques em pleno Império Romano!) cantados em ópera rock. Mas se tivermos a mente aberta, perceberemos a obra como primorosa. A trilha sonora composta é espetacular (foi composta por Tim Rice, o mesmo que fez várias músicas para os filmes da Disney) e os cantores-atores a representam muito bem. Apesar da arrecadação modesta (13,200,000 dólares nas bilheterias), o filme ocupa esse espaço na lista por conta da ousadia e, principalmente, da qualidade.

 A Noviça Rebelde

Em 1965, após o sucesso de Mary Poppins, Julie Andrews atuou em um outro musical, que teve um sucesso maior ainda. Basta olhar a quantia de 286,214,286 dólares arrecadados nas bilheterias. A história de uma noviça que vai cuidar das crianças do capitão nazista Von Trapp, e todo o drama e romance q ue se desenrola é acompanhado de uma trilha sonora fantástica. As músicas ‘Do Re Mi’ e ‘My Favorite Things’ podem ser consideradas clássicas. Confesso que apesar de não ser da minha época, virei um fã do filme assim que o vi pela primeira vez.

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Solo de chorinho e metal… separados por uma distorção!

Grandes roqueiros tocando brasileirinho? Como assim?

Ministério da Saúde adverte: este vídeo pode causar sintomas de depressão e revolta nos roqueiros.

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Existe vida após a carreira?

Não tão recentemente (no final de março) saiu uma matéria no Domingo Espetacular mostrando um ilustre músico que hoje mora nas ruas. Renato Rocha, o Negrete, ex-baixista do Legião Urbana, hoje vive nas ruas do Rio de Janeiro ganhando meros 190 reais dos direitos autorais e sem nenhum contato com amigos e parentes. A reportagem está disponível ao final do post, mas não cabe a mim julgar especificamente aqui o que levou Negrete a essa condição ou se o mundo é ou não é injusto, acho que a própria reportagem e a cabecinha pensativa dos leitores tirarão a conclusão. O que quero tratar é até que ponto o sucesso repentino ou mesmo o sucesso mundial se torna um problema. A verdade é que o problema não é o sucesso em si, mas a falta de preparo do famoso. No caso do Renato Rocha, por exemplo, certamente não foi a falta de dinheiro ou de apoio que o colocou nas ruas. Como você verá na reportagem, o pai dele aconselhou muito a investir em imóveis e outras formas de investimento, mas Renato dizia que “dinheiro era para gastar”. Foi uma falta de preparo para o futuro que o prejudicou.


Acho que esse é o ponto: preparo para o futuro. A fama repentina dá uma impressão de falsa segurança, quando muitas vezes a banda não passa nem cinco anos em um relativo sucesso. Tanto que as bandas que agüentam mais de 15 anos de carreira são só as bandas históricas (U2, Rolling Stones…).

João Gilberto, o papa da bossa nova, o gênio que inventou a bossa nova, hoje mora sozinho em um pequeno apartamento e com a vida limitada. Como é possível?

E não é só a falta de administração da conta que traz tragédias para os artistas. Já parou pra imaginar quantos sofreram e ainda sofrem de depressão por estarem psicologicamente despreparados para o sucesso? Acredito que foi o caso de Kurt Cobain, que tomou a mais drástica das soluções e se matou com um tiro (imagens meramente ilustrativa, viu galera).


Outros tentam descarregar as tensões em festas, bebidas e drogas. Assim que Freddie Mercury e Amy Whinehouse adiantaram não só o fim da banda como da própria vida.


Outros músicos entendem que, apesar do impacto e da influência incalculável de suas obras na cultura, viver para sempre de música é uma decisão difícil, quando não inviável. Por isso Marky Ramone, o ex-baterista dos Ramones e um dos únicos integrantes vivos das primeiras formações da banda punk, criou uma empresa de rua de venda de almôndegas (mas ainda não deixa de tocar). Ramo tão diferente do artístico que chega a ser estranho vê-lo nessa condição.


Enfim, acredito que a questão de “haver vida após a carreira” é muito relativa. Se o artista achar que a música é a sua vida, fica realmente difícil carregar esse fardo. É preciso, como tudo na vida, ter planejamento para se sustentar (Paul McCartney poderia ter se aposentado há décadas, por exemplo). Mas se o artista só quer viver do presente, como se doasse a sua vida para a arte, certamente baterá a cara no muro. A situação do Renato Rocha é triste? Com certeza. Mas por melhor que sejam suas intenções, na vida nem tudo é poesia.

Reportagem sobre Renato Rocha, o Negrete, que hoje é sem-teto.

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Ventura – Por Trás do Álbum

Análise crítica de Ventura, do Los Hermanos.

NOTA DO ÁLBUM:

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: De Onde Vem A Calma… não, Conversa de Botas Batidas… hum, vai ter que ser as duas.

Lá estava eu por acaso em uma livraria cavucando CD’s na estante (sou um dos poucos que sobraram no mundo que ainda cavucam estantes de CD’s). Inspirado pela minha recente jornada de conhecimento do rock brasileiro, decidi que compraria um CD do Los Hermanos, banda que nunca cheguei a conhecer muito, no máximo duas ou três músicas de cada álbum. Infelizmente só achei dois CD’s deles, Ventura (2003) e 4 (2005), e confesso que estava muito mais inclinado a levar a segunda opção por duas razões: a capa era mais bonita (opto por deixar esse comentário em um momento mais oportuno) e as duas músicas que eu conhecia deste segundo me agradavam mais que as outras duas que eu conhecia do Ventura. Mas eu já tinha ouvido ou lido alguns burburinhos de como o Ventura era um dos melhores discos do LH e de como 4 era tão sem sal. Não estando em posição de julgar, resolvi acreditar nessas opiniões alheias e levei o Ventura mesmo. Me sinto na obrigação de dizer que não me arrependi.

A primeira impressão que tive foi a que ficou, para meu estranhamento. Logo de cara achei bem los-hermânico mesmo mas com algo a mais, que me levou um tempo para identificar mas enfim veio à tona: os arranjos. As músicas que eu já conhecia não tinham esse cuidado todo com os arranjos. Anna Júlia (Los Hermanos, 1999), por exemplo, nem precisava comentar. Muitos acusam de ser uma música totalmente aleatória na carreira da banda, pois seu estilo pop rock difere muito da sonoridade que é característica da banda. Ou O Vento (4, 2005), onde a batida meio MPB da guitarra chega a ser um incômodo se comparada com a melhor letra que a banda já produziu. Essas e outras músicas são sim muito boas, mas, como dizem, “o arranjo apenas acompanha a música”. Parece uma frase meio óbvia (e é!), mas se compararmos as músicas desse álbum com os outros hits podemos arriscar dizer que nessa obra o arranjo é a medida da música.

Vou tentar pontuar meu argumento com exemplos: primeiramente, percebi que a parte instrumental é muito presente em quase todas as músicas do álbum. E com “presente” quero dizer “tão presente que às vezes ocupa quase metade da música”. Presente sim, mas não necessariamente sofisticado ou muito grandioso. É o caso de Samba a Dois, a faixa de abertura, onde começa bem como um samba mesmo e à medida que vão entrando os instrumentos a música vai tomando forma. A partir da metade da música fica clara a presença de instrumentos de sopro metálico, e já é uma deixa para o ouvinte ir se acostumando, porque as outras músicas estão cheia deles (mas, pelo que eu li, esse álbum tem menos metais do que o álbum anterior). Achei interessante, porque eu nunca entendia os comentários de que Móveis Coloniais de Acaju lembra Los Hermanos. E quem diria, são os metais! Se o nome “instrumento de sopro metálico” já te dá uma agonia, devo advertir que algumas poucas músicas do CD são realmente de digestão difícil, como Do Sétimo Andar. Mas nada que não dê para se acostumar. Outra forma da parte instrumental estar “presente” é a equalização, pois há músicas em que as guitarras ou os sopros estão quase na mesma altura da voz (vide De Onde Vem A Calma). Dá até para fazer uma relação forçada com The Strokes, só porque eles também usam o instrumental muito alto.

Pode parecer estranho, mas apesar de dedicar um parágrafo tão grande sobre arranjos o que realmente me agradou no álbum foram as melodias. E salve Camelo! Para mim, Marcelo Camelo é um dos maiores melodistas da música brasileira. São melodias leves, charmosas e marcantes, numa levada de MPB quando querem ser uma banda de rock, e é daí que eu acho vem o diferencial da banda. E as letras? As que não são bonitinhas são ótimas! Camelo escolhe as palavras muito bem, tem uma facilidade em achar fonéticas que servem muito bem e ainda sair uma poesia bonita quando se lê em um papel. Destaco as músicas De Onde Vem a Calma e Cara Estranho (que estava musicalmente bem desconfortável na track list) entre as minhas favoritas com melhores letras. E o Amarante? Bom, não que ele não seja um bom músico, aliás, terá meu respeito eterno por ter composto O Vento (4, 2005) e sua poesia viciante, mas para mim ele está alguns degraus abaixo do Camelo. Sua poesia é aceitável, mas normalmente forçada, e as suas melodias, insossas. O melhor que ele dá no álbum é O Velho e o Moço.

Veja o resumo do álbum (partes das músicas) para ter uma idéia de como é:

Enfim, Ventura é um álbum bom, sem dúvida, mas se esse é o melhor de Los Hermanos como tantos dizem, talvez eu tenha superestimado demais a banda. Ah, e um último comentário: que capa feia é aquela? Uma pintura completamente desconfortável de um pássaro voando em alto-mar. A pintura inteira, como vocês podem ver na imagem abaixo até que é de boa. Mas pegaram uma parte bem feinha, hein. Ainda bem que eu não julgo o disco pela capa.

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