Archive | abril 2011

Campeonato de álbuns – 4ª Rodada

     Encerrou-se a terceira rodada das oitavas-de-final do Campeonato de álbuns , e o álbum mais votado foi Sam’s Town, do The Killers, em uma virada surpreendente nos últimos dias. A Rush Of The Blood To The Head, merecedor da vitória, estava em vantagem até sofrer a virada e ficar com apenas 48,17% dos votos.

     Vale lembrar, mais uma vez, que o objetivo da competição não é ver qual é o melhor, mas qual é o mais “querido”. A votação da semana será entre The Bends, do Radiohead, e First Impressions Of Earth, do The Strokes. Quem não conhece as obras, não tem problema, eu coloquei, mais uma vez, os vídeos com algumas partes de todas as faixas do álbum. Assim dá pra ter uma noção de como é o CD.


    

Entrevistas – Chris Martin, vocalista do Coldplay

     Enquanto ainda não tive oportunidade de entrevistar pessoalmente os grandes artistas, coloquei essa entrevista feita em 2010 pela Veja. Aqui, Chris Martin fala, muito aberto, sobre ser uma (anti)estrela do rock, o próximo álbum do Coldplay e suas acusações de plágio.
Por Sérgio Martins da Veja
O senhor é o anti-rockstar? Não se mete em confusões, faz caridade, é um pai exemplar…
Não se pode generalizar, muito menos rotular um artista. O que acontece é que, quando você se torna famoso, as pessoas se acostumam a te associar com apenas uma característica da sua personalidade. Eu, por exemplo, virei o bonzinho. Mas ninguém é totalmente bom ou ruim, já fiz coisas das quais eu me arrependo.
O cantor Eddie Vedder, do Pearl Jam, já declarou ser “muito difícil” ser Eddie Vedder. É complicado ser Chris Martin?

Eddie Vedder tem toda essa fama de ser boa gente. E, sim, ele é boa gente. Mas acredito que até ele deve gostar de pornografia de vez em quando. Aliás, todo mundo vê pornografia. Até eu.
No final do ano passado, o Coldplay colocou vários artigos – álbumd e fotografias, instrumentos – a leilão. Por quê?

Desde que a banda surgiu, dez anos atrás, que tínhamos a proposta de ajudar os mais necessitados. Pouco antes do Natal do ano passado, juntamos nossos instrumentos e artefatos utilizados em turnês anteriores para ajudar uma entidade chamada Kids Company. Ela está baseada em Londres e ajuda crianças e adolescentes órfãos ou que não conseguem bancar seus estudos. A gente fez o leilão e conseguiu levantar uma boa quantia – não me lembro da quantia exata – para ajudar essas pessoas. Foi enriquecedor.
O senhor se sente na obrigação de ajudar as pessoas?

Não se trata de obrigação. É que nos sentimos tão afortunados, a vida sorriu tanto para nós, que temos vontade de ajudar outras pessoas. O que custa vender uma guitarra antiga para ajudar alguém ou algo em que você acredita?
O senhor também cedeu para leilão uma de suas jaquetas utilizadas na turnê de Viva la Vida. O dinheiro irá para as vítimas do terremoto do Haiti?

Sim, também ajudamos o Haiti. A notícia chegou quando estava no estúdio, gravando nosso novo disco. Foi um choque porque eu tinha esperanças de que seria uma década melhor para o mundo. Mas é bonito ver o resto do mundo se unir para ajudar as pessoas no Haiti. Estive no país em 2002 e fiquei aterrorizado com a pobreza da região.

O Coldplay enfrentou acusações de plágio em Viva la Vida. As mais conhecidas foram as do guitarrista Joe Satriani e do cantor Cat Stevens. Como a banda reagiu a isso?

Foram cinco acusações ao todo. Mas não roubamos a música de ninguém. Na verdade, até estava se tornando uma coisa engraçada. Eu acordava de manhã e recebia um telefonema dos meus advogados, dizendo que tínhamos sido acusados de plágio e se por acaso eu tinha roubado a música ou não. “Claro que não”, foram as minhas respostas. Os processos, de certo modo, foram uma benção. Significaram que estávamos fazendo sucesso. Por outro lado, é uma chatice ter de enfrentar essas situações e lidar com advogados.
Uma boa opção é colocar um anúncio no novo single da banda. “Se você achar que essa música é igual a uma composição sua, mande-nos um e-mail”!

Você acredita que pensamos nisso? Ontem, na hora do almoço, ficamos discutindo sobre a possibilidade de sofrermos novas acusações de plágio. Mas decidimos melhorar como compositores. Só assim poderemos escapar desse tipo de acusação.
O Coldplay irá lançar um novo disco este ano?

Estamos trabalhando em um novo álbum. A pré-produção começou há seis meses e estamos há um mês e meio no estúdio. A produção será novamente de Brian Eno e estamos comprometidos a fazer algo grandioso. Mas posso adiantar que ele será mais intimista que Viva la Vida. Nos últimos tempos, tenho escutado muito Chopin, um grupo vocal chamado Golden Gate Singers e os primeiros discos de Bruce Springsteen. Bruce, aliás, foi uma descoberta recente, comecei a comprar os CDs dele há dois anos. Virei fã de Born to Run Nebraska – estou pensando em colocar algumas músicas dessas bandas aqui no blog pra ter alguma pista de como será o próximo álbum .
Brian Eno deu uma entrevista ao jornal inglês The Guardian na qual disse que a era do disco está no fim. O senhor concorda com isso?

Ouvi falar dessa entrevista, mas ainda não tive tempo de lê-la. Mas tendo a concordar com Eno. O mercado de discos passa por mudanças e a tendência é que o CD venha a desaparecer. Com você, deve estar acontecendo a mesma coisa, a internet tem tomado o espaço dos jornais e revistas. Mas isso não significa a morte da música, muito menos do jornalismo. Não dá para controlar o futuro, tudo o que posso fazer é me esforçar para compor mais e melhores canções.
Como foi participar do seriado Os Simpsons?
Foi fantástico, sempre fui fã da série. E toda vez que assistia aos Simpsons na televisão, pensava: “Adoraria participar um episódio do programa.” Adorei ficar trancado no estúdio com os atores que interpretam os personagens e vê-los improvisar. Espero que a minha atuação tenha sido à altura deles. Eu adoro comédias e programas humorísticos, mas sou um comediante medíocre. Sei compor músicas, no entanto sou incapaz de contar uma piada engraçada. Para mim, não existe nada mais frustrante do que estar numa festa, numa mesa cheia de amigos e chegar a minha hora de contar uma piada. Nesses momentos, eu finjo que estou passando mal e vou desmaiar – e fujo.
Na última vez que o senhor nos deu uma entrevista, o Coldplay tinha iniciado a turnê do Viva La Vida. Que mudanças ocorreram no show?

Sempre mudamos de um show para outro. No caso de Viva la Vida, que conta com mais de 170 apresentações, não teria como ser diferente – alteramos algumas canções do repertório, a ordem delas… Mas fizemos isso de uma maneira tão lenta e cuidadosa que as pessoas mal irão notar essas mudanças.
No Brasil, vocês deverão tocar para um público estimado em 60.000 pessoas. Haverá alguma mudança na estrutura do cenário, por exemplo?

60.000 pessoas? Sério? Será o maior público do Coldplay no Brasil. Espero que as pessoas apareçam e nos prestigiem.
O senhor declarou que o Coldplay era a maior banda da atualidade porque U2 e Green Day não tinham lançado seus novos discos. Essas duas bandas estão com disco novo e nenhum deles superou Viva la Vida. Quer reformular sua resposta?

Não, você vai me causar problemas. Gosto das bandas e gosto dos fãs dessas bandas. Eu diria que o Coldplay hoje ocupa um honesto terceiro lugar.

Campeonato de álbuns – 3ª Rodada

     Encerrou-se a primeira rodada das oitavas-de-final do Campeonato de álbuns , e o álbum mais votado foi The Wall, do Pink Floyd, com mais de 80% dos votos. Devo confessar que eu estava com uma pontinha de inclinação pela vitória do A Night At The Opera, mas não aconteceu.

     Agora a disputa continua acirrada, vocês têm uma semana para votar no Sam’s Town, do The Killers ou A Rush Of The Blood To The Head, do Coldplay. Quem não conhece as obras, não tem problema, eu coloquei, mais uma vez, os vídeos com algumas partes de todas as faixas do álbum. Assim dá pra ter uma noção de como é o CD.


    

All The Lost Souls – Por trás do álbum

Análise de All The Lost Souls, de James Blunt

Capa do álbum All The Lost Souls

NOTA DO ÁLBUM: 

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: Carry You Home

Após o incalculável sucesso de You’re Beautiful (Back to Bedlam), a ponto de ser irritante, James Blunt lançou seu segundo álbum em 2007, All The Lost Souls. Foi uma conquista importante tanto em fatores externos – já não há risco de ser taxado como one hit wonder¹ – quanto em fatores internos – amadureceu a ponto de quintuplicar suas composições próprias, sem ajuda de outro artista. Mesmo assim, grandes sucessos do álbum como 1973 e Carry You Home tiveram co-compositores. Não que isso seja um problema, mas um artista que leva quase todo o crédito do álbum deveria abrir um espaço maior aos seus colegas de trabalho.

É um álbum romântico de um artista romântico. Mas não espere uma boa poesia da obra, que tem apenas Carry You Home, 1973 e Annie de melhor para oferecer. As outras faixas tem uma letra tão vaga e remendada que deixa confuso sobre o que realmente é a música. Neste caso, falar sobre um paixão impossível entre a moça e o rapaz, ainda que clichê, seria mais apropriado. Blunt usou e abusou de certas palavras ou conceitos. “On my own” (em minha própria…/próprio de mim) aparece em pelo menos três músicas e o uso da terceira pessoa do plural como sujeito indeterminado (They want”, “They say”…) beiram o conspiratório, contribuindo menos para uma coesão lírica do álbum.

Felizmente, contrapondo com a fraca poesia, as músicas mostram uma boa química da banda e dão o clima certo para as baladas de Blunt. Ainda há um piano (com belos riffs, devo ressaltar) bastante presente em todas as músicas e uma surpresa em relação ao álbum anterior: abriu-se as portas para a guitarra, que foi um exemplo de textura em músicas românticas, como em Annie, casando muito bem com o piano na introdução.

Conforme se ouve o álbum, somado aos pressuposto de que o ouvinte reconhece a certa restrição instrumental das baladas (que por natureza tem uma estrutura simples), o CD surpreende pelo clímax que há em cada música. Precebe-se também estruturas semelhantes nas músicas: introdução melancólica; crescimento gradual com entrada dos outros instrumentos; clímax; desfecho novamente melancólico. Assim as músicas tem um teor muito parecido, o que torna evidente a qualidade da obra, que foi apenas salpicada na mídia com as músicas 1973, Same Mistake e Carry You Home.

All The Lost Souls é o resultado de uma ótima combinação do timbre único e potente da voz de James Blunt com músicos talentosos por trás do álbum. As composições são invejáveis (com destaque para Carry You Home), mas manchada pela poesia fraca. O que a revista Rolling Stone taxou como “baladas esquecíveis” na verdade é uma arte admirável para quem gosta de música romântica – requisito, talvez, que faltou ao crítico da revista.

Veja o resumo do álbum (partes das músicas) para ter uma idéia de como é:
¹ artista que faz sucesso com apenas uma música.

As 10 Melhores Músicas Para Viagens

     Baseada em experiências próprias, reuni as 10 músicas que adequadas para uma viagem, ou aquelas que só de ouvir lembro das estradas do Nordeste. É claro que não são realmentes as ’10 melhores músicas’, pois todo mundo tem um gosto musical diferente, isso é apenas uma coletânea.

Like A Rolling Stones (Bob Dylan)

Com uma batida bem característca, não é uma má ideia para te entreter durante viagens longas.

Cover do Rolling Stones da música

Burning Love (Elvis Presley)

Um dos maiores sucessos do Rei do Rock.

Older (Band Of Horses)

Uma das melhores bandas alternativa, ainda que desconhecida, mostra como dá certo a mistura de rock com um ‘quê’ de country.

Rambin’ Man (Allman Brothers Band)

Já esteve em várias coletâneas de Rock para se ouvir em viagens, como “On The Road Again”

Berrante de Ouro (Duduca e Dalvan)

A lista arrisca até esse modão do sertanejo.

Crazy Little Thing Called Love (Queen)

Uma das músicas mais dançantes da banda, representando bem o quarteto inglês nesta lista.

Mother (John Lennon)

Muita cara de música de caminhoneiro. Sim, para longas viagens.

A Woman Left Lonely (Janis Joplin)

Assim como todo o álbum ‘Pearl’, a música tem uma boa pegada.

Act Naturally (The Beatles)

Apesar de ser um cover dos Beatles, a música tem um jeito muito parecido com as composições da banda.

Yesterday Once More (The Carpenters)

Uma das melhores bandas românticas de soft-rock, The Carpenters perece que compôs essa música especialmente para se ouvir durante aquelas viagens longas.

Campeonato de álbuns – 2ª Rodada

     Encerrou-se a primeira rodada das oitavas-de-final do Campeonato de álbuns com notáveis 1.070 votos no total, e o álbum mais votado foi Highway 61 Revisited, de Bob Dylan, com 57,94% dos votos. Devo confessar que eu estava com uma pontinha de inclinação pela vitória do Abbey Road, mas não aconteceu.


     Agora a disputa continua acirrada, vocês têm uma semana para votar no The Wall (Pink Floyd) ou A Night At The Opera (Queen). Quem não conhece as obras, não tem problema, eu coloquei, mais uma vez, os vídeos com algumas partes de todas as faixas do álbum. Assim dá pra ter uma noção de como é o CD.


     OBS: eu recebi alguns comentários quase que raivosos reclamando que a arte é para se apreciar, e não para disputas ou para classificá-las. Devo ressaltar, então, que o objetivo desse campeonato não é decidir qual o melhor álbum, mas somente uma forma de entretenimento. É claro que também dá para se ter uma noção das obras mais queridas dos leitores.




Poeta Dylan

Coletânea de frases de Bob Dylan.

– “Não sou eu. São as músicas. Eu sou só o carteiro. Eu entrego as músicas”
                                       – sobre seu sucesso.


– “Ouvir Elvis é como escapar da prisão.”
                         – sobre um de seus ídolos. 


– “A democracia não domina o mundo, coloque isso na sua cabeça. O mundo é dominado pela violência, mas eu acho melhor não dizer.”
                         – respondendo sobre o que acha da democracia. 

– “Ninguém é livre: até os pássaros estão acorrentados ao céu.”
                             – sobre liberdade.   


– “Por qualquer motivo, isso nunca aconteceu…
                                         – quando perguntado como é ser Robert Zimmerman (seu nome verdadeiro).


– “Quantos anos pode existir uma montanhaantes que ela seja lavada pelo mar?
                         – na letra da música “Blowin’ in the wind”


– “Não creio que veja que sou verdadeiramente o porta-voz seja do que for…
                                      – desmentindo, irônicamente, ter se dedicado às canções de protesto que virou um ícone do Movimento.


– “Sou  um trovador dos anos 60, um vestígio do folk-rock um criador de palavras dos tempos antigos, estou no inferno do oblívio  cultural… 
                                       – em uma crise existencial em meados dos anos 80.


– “As músicas não podem salvar o mundo.”
                                        – reconhecendo a triste realidade.   


 – “Quando você não tem nada, você não tem nada a perder
                           – em “Like a Rolling Stone”, que fala sobre a decadência de uma madame que agora vive nas ruas.