Archive | março 2011

Banda Do Mês – The Killers

Biografia e análise das obras do THE KILLERS. Mini-documentário ao final do post.

Imagine que você esteja em um hotel, e o porteiro te ajuda com as malas. Você olha mais atentamente pro porteiro. E olha de novo. Duvido que você imaginasse que esse porteiro poderia ser uma estrela do rock. Pois foi assim que Brandon Flowers, vocalista do The Killers, trabalhou por um certo tempo em Las Vegas, a cidade dos cassinos. Mas ele também era tecladista de uma banda, até se separar dela por divergências sobre o rumo da banda. Foi depois dessa separação que Brandon começou a traçar o caminho que culminaria na formação de uma das bandas mais queridas e criativas do globo atual.

“Procura-se um tecladista, compositor e cantor criativo pra caramba para formar a melhor banda do ano.” Com certeza não foi assim, mas foi através de um anúncio em um jornal que o guitarrista Dave Keuning procurava formar uma banda. Os requisitos era tocar algum instrumento e ter The Cure, The Bealtes, U2, New Order, entre outros, como inspirações. E, pela força do destino, Brandon foi o único que repondeu o anúncio.

Você não imaginaria que um porteiro seria uma estrela do rock.

Já no primeiro encontro eles trabalharam no que seria seu primeiro sucesso: Mr. Brightside. Keuning tinha composto o verso, e Brandon completou com o refrão. Pouco tempo depois ele convocaram o resto dos integrantes da banda: Ronnie Vannuccie, que estudava percussão clássica, e Mark Stoermer, baixista. E logo o grupo começou a ensaiar na casa de Ronnie, quando se sentiram preparados para tocar nos cassinos e festas noturnas de Las Vegas. Nestes shows que a banda chamou a atenção dos caça-talentos e produtores musicais. Um deles chegou a gravar uma demo e enviou para a gravadora Lizard King, em Londres, que lança muitas bandas independentes no mercado. E a partir daí que o grupo teve a chance de mostrar todo seu pontencial no primeiro álbum, Hot Fuss.

     Atualmente, há uma discussão em pauta que fala sobre a velocidade do mundo globalizado hoje, como tudo ficou mais fácil. E essa banda se encaixa perfeitamente no perfil. Em apenas dois anos eles sairam do quarto de Ronnie para os palcos do mundo. “Mr Brightside” foi uma explosão, alcançado o primeiro lugar em vários países. E outros hits do álbum, como “Smile Like You Mean It”, “All This Things That I’ve Done” e “Somebody Told Me”, mostram que a banda formada por um simples porteiro, na verdade, pode ser um grande sucesso.

A banda teve dois anos para fazer suas turnês, compor e ensaiar novas músicas. Agora com o selo do Island Records, ela lançou em 2006 um dos álbuns mais envolventes do ano, Sam’s Town. Ou, segundo o egocêntrico mórmom de 1,75 de altura, Brandon Flowers, “este é um dos melhores álbuns dos últimos 20 anos. Nada pode abalar este álbum”. O álbum traz mais guitarras, e destaco aqui músicas ousadas por sua estrutura pouco ordinária, como “Exterlude/Enterlude” e “My List”. Mas também é referência em boas melodias, com “Read My Mind”, “When You Were Young” e “Bones”, que teve até um clipe dirigido por Tim Burton. Foi nesse álbum que a banda definiu o modo de se vestir e uma sonoridade mais consistente.

Seguindo o padrão, dois anos depois foi lançado Day & Age, que traz uma influência muito clara dos ritmos dançantes dos anos 80, com muito sintetizador. O primeiro single, “Human”, causou um estranhamento, mas logo alcançou um reconhecimento maior.

Sessão fotográfica para o álbum Day & Age.


O interessante de The Killers é que eles não se limitam à obras para álbuns, eles tem uma grande quantidade de singles, featuring e covers, fora os especiais de Natal que gravam todo ano (os quais destaco “Joseph, Better You Than Me” e “Don’t Shoot Me Santa”). Eles chegaram a  juntar um tanto dessas obras e lançar em uma compilação chamada Sawdust, em 2007.

É estranho para os fãs estar em 2011 e não ter ainda nenhum outro cd mais novo. Parece que quebraram a tradição de lançar álbuns a cada dois anos. Isso porque Brandon resolveu arriscar um álbum solo, em 2010. Não quer dizer, graças a Deus, que a banda se desitegrou. É apenas uma experiência do ex-porteiro. O álbum conta o o hit “Crossfire”, mas não chega perto do que seria uma obra da banda completa.

Essa é a história de uma banda que conquistou os amantes do indie rock e até dos ‘popeiros’. É incrível como as coisas se arrumam para um resultado final fantástico. Quem sabe se Dave simplesmente não quisesse colocar o anúncio no jornal. Ou Brandon continuasse na banda antiga? O importante é que o que aconteceu, aconteceu. E aconteceu, por sinal, muito bem!

Você pode curtir um mini-documentário que eu fiz resumindo a biografia da banda, com fotos, entrevistas e muito mais.

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BAIXE aqui os álbuns do The Killers

As 10 Melhores Músicas Temas das Séries

     É claro que não dá para ser imparcial em uma lista, mas os critérios que mais dei prioridade são nas séries mais vistas no Brasil e/ou no mundo. E, lógico, as que eu gosto.

Law & Order SVU (música tema)

Uma “filial” da série Law & Order, com uma música bem característica.

Todo Mundo Odeia o Chris (música tema)

Ninguém, exceto os milhares de telespectadores, gosta do Chris. E essa música com a abertura dos episódios foram uma ótima combinação.

Monk (It’s a Jungle Out There)

Ganhou o Emmy de Melhor Música Tema, mas não é o nº 1 dessa lista.

Dr. House (Teardrop)

É com esse clima fantástico que começa o programa do médico mais rabugento (pra não falar outras coisas) do mundo.

Fringe (música tema)

Composta pelo próprio produtor (J. J. Abrams, o mesmo de Lost), a música arrepia tanto quanto a própria série.

The Big Bang Theory (música tema)

Um enorme sucesso de audiência, no Brasil, inclusive, tem uma letra tão descontraída e engraçada quanto a série.

Two And A Half Man (música tema)

Uma melodia tão pegajosa que me faz querer ver outro episódio só pra ouvi-la de novo. ‘Bambambam bamram barambambam…”

Friends (I’ll Be There For You)

Com certeza foi uma das séries de maior sucesso do mundo, sendo que essa música é inevitavelmente associada aos seis amigos.

Lost (Life & Death)

Faz qualquer marmanjão chorar. Os responsáveis pela música da série tinham o dom de usá-la no momento certo, fazendo, com certeza, a série ser uma das mais lembradas.Faz qualquer marmanjão chorar. Os responsáveis pela música da série tinham o dom de usá-la no momento certo, fazendo, com certeza, a série ser uma das mais lembradas.

Os Simpsons (música tema)

Com mais de 20 anos nas telas, é quase impossível ninguém nunca ter escutado essa música. Marca registrada do desenho.

Faroeste Caboclo – o filme

 “Toca um Faroeste aí…”

     A saga do querido anti-herói João de Santo Cristo, depois de tantos boatos, finalmente vai para as telonas do cinema. A música Faroeste Caboclo, que foi composta por Renato Russo na sua época época de Trovador Solitário, narra a história que saiu de Salvador para tentar ganhar a vida em Brasília, a cidade do futuro, mas, pela maldade do destino, acabou se envolvendo no tráfico.

     A trama tem tudo para se tornar mais um sucesso no novo gênero de ‘bandidagem’ do cinema (que inclui Cidade de Deus, Tropa de Elite, Meu Nome Não É Johnny, entre outros). É até estranho que até agora o projeto não tinha saído do papel. Culpem a burocracia pela demora no começo do projeto (está há 3 anos em andamento), pois os idealizadores da Gávea Filmes, que está comandando o projeto, tiveram que enfrentar a empresa Tapajós, dona dos direitos autorais da música, mesmo com o apoio da família de Renato Russo. O processo está em andamento, e se a Tapajós vencer, o filme não poderá contar com a trilha sonora do Legião. Seria ridículo se uma obra prima como essa simplismente não contasse com a música que a inspirou. Esse, meus caros, é o retrato das companhias que preferem o dinheiro aos valores.

     Enquanto a parte feia, da papelada, se embola ainda mais, a parte artística progride. A produção contará com Paulo Lins, que também participou do roteiro de A Cidade de Deus, e com a direção de René Sampaio que, apesar de estar estreando em longa-metragens, já fez muitas peças publicitárias e trabalhos no exterior. Ele, aliás, é formado em Comunicação da Universidade de Brasília. No elenco, Fabrício de Boliveira encarnará João de Santo Cristo, Isis Valverde será Maria Lúcia e Felipe Adib, o ‘vilão’ Jeremias. O resto do elenco, especula-se, será brasiliense. Há até uma promoção onde você que é fã pode participar de uma das cenas gravadas – mas já está finalizado. Com um grupo consistente como esse, mais uma vez aumenta as expectativas.

Boliveira, Valviverde e Adib, respectivamente, os atores protagonista

     Durante o desenvolvimento do projeto, houveram muitas pesquisas sobre como era Brasília no tempo da história (anos 70), tanto da urbanística como na questão da violência e atitudes dos moradores, há algumas semanas a produção já viajou para a capital para decidir as locações e começar as filmagens. O filme está previsto para o segundo semestre de 2011. E mais, o site da Gávea Filmes promete surpreender o espectador pela forma como a história será contada. Esperamos que seja uma boa surpresa.

A diferença de Brasília na época da composição e hoje



Rock in Rio – Você vai?

“Você vai pro Rock in Rio?”
“Pois é, cara, tô querendo ir”

     É assim que parece que os amantes da música parecem estar se preparando para um dos maiores eventos musicais do mundo. Promovido primeiramente em 1985 pelo empresário Roberto Medina, o evento fez um enorme sucesso ao integrar diversas bandas consagrados, como Queen e Iron Maiden. Agora, na quarta edição no Brasil, o Rock in Rio retorna à cidade de origem.

     Só no Brasil, aliás, para a Cidade do Samba virar Cidade do Rock, e ‘rock’ virar metonímia de ‘música que faz sucesso’. Isso porque os maiores eventos serão estrelados por ícones do Pop, como Rihanna, Elton John, Shakira e Katy Perry. Isso sem falar na Ivete Sangalo ou Claudia Leite. É claro que ainda há os representantes do Rock com ‘r’ maiúsculo, como Guns N’Roses e os cabeludos do Dia do Metal. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, mas o cenário musical internacional oferece outras boas opções do rock, como o som dançante de The Killers e o rock áspero de The Strokes. Até o experimentalismo surreal de Radiohead combinaria.

     Porém, o próprio propósito do evento parece ser essa mistura de gêneros, exemplificado pelo Palco Sunset, onde dois ou três bandas/artistas se juntam para mostrar ao mundo que a criatividade e experimentalismo não têm fronteiras, das 14h às 19h. Onde mais se veria, por exemplo, o MPBista do Ed Motta com o som romântico português do Rui Veloso?

     Tão grande quanto o repertório e fama do elenco de músicos é a dimensão da área destinada ao evento: 150 mil m² (pouco maior que a área total construída do Maracanã). Imagine uma festa grande. Não, não, imagine uma festa ENORME. Tem montanha russa, lojas, propaganda, lanchonetes, propaganda, roda-gigante, propaganda, dois palcos, miradouros e, adivinhe só, propagandas. É o que promete. Você pode ver abaixo um breve vídeo de como os idealizadores esperam que seja:

     O Rio de Janeiro está em uma boa onda: tomou os morros de volta, recebeu o Obama, vai sediar mais uma vez o Rock in Rio, a Copa do Mundo e, ineditamente, as Olimpíadas. Não poderia estar mais nos holofotes. A questão é se esses eventos de proporções colossais estão realmente desenvolvendo a cidade de acordo com seu potencial ou não passa de mais uma propaganda que mostra a casa como os donos queriam que fosse? É claro que o Rock in Rio é uma iniciativa privada, mas deve-se valer então do próprio lema que promoveu para o evento: ‘Por um mundo melhor’. Atualmente, ser politicamente correto é quase uma obrigação para as empresas e instituições, mas usar essa bandeira em vão só desvaloriza essa idéia.

     Olhando para o lado estrutural do complexo (batizado de Cidade do Rock), os fãs iriam ter um dia inteiro de diversão, tendo vários recursos como os shows no Palco Sunset (que comentei lá em cima), brinquedos, e   outras coisas. Isso seria um aquecimento para a grandiosidade do mais esperado: os shows internacionais no Palco Mundo. Isso que o povo pede. Isso que o povo quer. A programação promete um espetáculo sonoro inesquecível, e eleva muitos brazucas para o esplendor do Palco Mundo, como a banda de britpop Skank, o rock de NxZero e até a Ivetinha e Claudinha Leite. A programação comentada segue abaixo:

-O primeiro dia o Palco Mundo é 100% Pop.


Móveis Coloniais de Acaju                              Elton John
/Orquestra Rumpilezz/Mariana Aydar          Rihanna

                    +                                             Katy Perry
Ed Motta/Rui Veloso                                    Claudia Leite
                    +
              Outros                          

-O segundo dia tem mais brazucas no Palco Mundo.

Milton Nascimento/Esperanza         Red Hot Chilli Peppers
Spaldinig                                                Snow Patrol
                    +                                         NxZero
Tulipa Ruiz/Nação Zumbi                           Capital Inicial
                    +                                         Stone Sour
              Outros                            

-O terceiro dia é do Metal

Andra/Tarja Turunen                              Metallica 
                    +                                     Motorhead
Sepultura/Tambours du Brokx                 Slipknot
                    +                        Coheed and Cambria
              Outros                            

-Cinco dias depois do show anterior??!! O pessoal do Metal faz um estrago danado mesmo, viu.
Cidade Negra/Martinho                         Shakira
da Vila/Emicida                                  Ivete Sangalo
                    +                                  Jota Quest
Monobloco/Macaco                              Marcelo D2
                    +                                  Lenny Kravitz
              Outros                                

-O sexto dia tem Coldplay de volta pro Brasil.

Erasmo Carlos/Arnaldo                         Coldplay
Antunes                                             Skank
                    +                                        Frejat                                  
              Outros                                

-No último dia Guns fecha com chave de ouro.

Mutantes/Tom Zé                            Guns N’Roses
                    +                                      
Titãs/Xutos&Pontapés                              Pitty               
                    +
Marcelo Camelo/convidado
                    +                                                                          
              Outros                                

     Os mais apressados já devem ter adquirido os ingressos através dos diversos concursos promovidos, o cartão do Rock in Rio ou coisas do gênero. Mas a venda oficial dos ingressos foi antecipada para o dia 07 de Maio – R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia-entrada) – conforme mostra o site oficial : http://www.rockinrio.com.br. Quem demorar para comprar possivelmente ficará na mão dos cambistas (na outra edição, os ingressos esgotaram em apenas 21 dias), ou assistir aos shows em casa.

John e sua lábia



Coletânea de frases do ídolo John Lennon.



– “A genialidade é uma tipo de loucura “
                                       – respondendo sobre como era ser um gênio.




– “Talvez não haja diferença entre nós e o presidente dos EUA se ficarmos nu”
                         – sobre política. 




– “A vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos”
                         – em mais uma lição de vida. 



– “Porque quis”

                             – quando perguntado por que cortou o cabelo.   




– “Por que você corta o seu?”
                                         – ironizando o repórter que fez a pergunta acima.




– “Living is easy with eyes closed”
                         – na letra da música “Strawberry Fields Forever”




– “Se todos quisessem a paz ao invés de um aparelho de TV, todos teriam a paz”
                                      – simplificando a paz em mais um discurso pacifista.




– “Eu pensava de verdade que todos nós seríamos salvos pelo amor”
                                       – mostrando sua desilusão.




– “Eu quero dinheiro apenas para ser rico”
                                        – mostrando seu lado capitalista.   




 – “Mãe, você me teve. Mas eu nunca a tive”
                           – em “Mother”, mostrando sua relação turbulenta com sua mãe na infância. 







              




As 10 Músicas Mais Conhecidas…

…mas que muita gente não sabe o nome. Fiz uma lista bem eclética, e promete uma continuação, pois eu lembrei de MUITA música desse tipo. A ordem, aliás, não tem grande importância nessa lista.

Eye Of The Tiger (Survivor, 1982)

Música tema do filme “Rocky”, parece estar no subconsciente mesmo de quem nunca viu o filme.

What A Wonderful World (Louis Armstrong, 1968)

Apesar de não ser composição de Louis, foi eternizada por ele. Hino da visão utópica do mundo.

I’m A Believer (The Monkees, 1966)

A resposta americana ao sucesso implacável dos Beatles resultou na formação desta banda, que teve apenas esse hit. Diz aí, o baterista é a cara da Susan Boyle, né?

I Can See Clearly (Jimmy Cliff, 1972)

Provavelmente o Reggae mais famoso que não é do Bob Marley.

Son Of A Preacher Man (Dusty Springfield, 1968)

Um dos Jazz mais regravados e que conquistou o mundo.

All Star (Smash Mouth, 2000)

O Hit que apareceu em muitos filmes e comerciais, dando à alguns a visão da banda ser one hit wonder (que só faz um sucesso).

Raindroops Keeps Falling On My Head (Frank Sinatra, 1969)

Juro que passei a minha infância inteira cantarolando essa música e nunca sabia o nome.

Accidentaly In Love (Coutings Crows, 2004)

Aquela do Shrek! Todo mundo ouve e pergunta: Ah, como que é o nome mesmo?

Summer Night (Grease, 1978)

Daquele musical com a dancinha imperdível de John Travolta.

Carruagem de Fogo (Vangelis, 1981)

A clássica dos clássicos, todo mundo conhece, toca no casamento, no velório, nos filmes, nas corridas… Quem nunca ouviu não é desse mundo.

The Final Cut – Por trás do álbum

Análise do álbum The Final Cut
Capa do 10º disco do Pink Floyd

NOTA DO ÁLBUM: 

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: Paranoid Eyes

Toda grande banda de rock normalmente acaba por três motivos: o ego de seus integrantes se torna insustentável para trabalhar em conjunto com outros gênios, uma vida desregrada ou desentendimento entre os integrantes. A desintegração do Pink Floyd foi um coquetel desses motivos, gerando um desmembramento desgastante que durou anos. A obra de hoje, The Final Cut, foi parte desta novela, pois foi o último álbum do baixista e grande poeta da banda Roger Waters. Ou, como defendem alguns críticos, um álbum pré-solo da carreira de Waters.

O álbum, na verdade, se auto-proclama “uma obra de Roger Waters, executado por Pink Floyd”. Realmente, Waters compôs todas as músicas (com exceção da musica Not Now John que teve a ajuda de David Gilmor) e, seja pela sua síndrome de superioridade ou pela própria proposta de um álbum melancólico, deixou os outros dois integrantes que restaram da banda bem escondidinhos- quase não há presença de guitarra e bateria, como havia nas outras obras.

The Final Cut é um álbum conceitual. Álbum conceitual é aquele que tem um propósito além de ser uma coletânea de músicas gravadas em um período de tempo. É aquele que desenvolve um mesmo tema através das músicas, e, no caso deste, o fez muito bem. Gravado em 1982, aborda diversos pontos sobre a guerra, incluindo temas poucos explorados na época, como o estresse pós traumáticos em soldados veteranos, resultado de situações extremas nas guerras As primeiras músicas falam sobre a Guerra de Malvinas (1980), onde o regime ditatorial vigente na Argentina tenta tomar a Ilha de Malvinas, que fica apenas a 450 km de sua costa. O Reino Unido, que controlava a região desde o século XIX, revidou mandando o triplo de tropas para defender a terra. Ignorando completamente as questões políticas, Roger Waters se concentra nos valores do ser humano e sua indignação  no tratamento de soldados como meros peões de xadrez. The Post War Dream, faixa de abertura, seria o gemido de agonia de um dos soldados, que termina em uma cédula melódica que se repete em outras músicas do álbum, perguntando “Maggie, what have we done?” (Maggie, o que nós fizemos?), em referência à primeira-ministra britânica da época, Margaret Thatcher, que interveio na Guerra de Malvinas.

Utilizando um som extremamente melódico exatamente para expressar a frieza das guerras, Waters (me desculpe por parecer dar credito somente a ele, mas os holofotes do álbum estão claramente voltados para ele) às vezes retoma em suas músicas o cenário da Segunda Guerra Mundial, um assunto delicado para ele, pois foi assim que perdeu seu pai – este citado umas três vezes ao longo do álbum. E, para fechar o currículo poético de Waters, uma belíssima combinação de letras utópicas, com um desfecho frio mostrando a desilusão com a sociedade, com melodias e orquestração que penetram a alma. É a fórmula de The Gunner’s Dream e Paranoid Eyes, uma das melhores músicas gravadas.

Montei um vídeo reunindo algumas partes de todas as músicas, 
para se ter uma idéia de como é o álbum.

The Final Cut pode ser considerado a personificação da melancolia. Instrumentalmente, o álbum conta com uma orquestração muito bem planejada, com muito uso de sintetizadores, um piano fantástico e um saxofone que em muitas músicas parece ter tomado o lugar da guitarra só para irritar Gilmour, guitarrista oficial da banda. A guitarra e a bateria, aliás, são muito tímidos neste álbum, mas, quando aparece, é com eloqüência. O ponto é que todos esses instrumentos citados (exceto guitarra e bateria) são tocados por artistas convidados ou contratados, e deixando a impressão de que o nome Pink Floyd na capa não passou de uma jogada de marketing para vender mais.

Apesar de atualmente ser fácil construir uma boa crítica sobre o álbum, ainda mais baseado na reputação dos percursores do rock progressivo, para a época em que foi lançado foi considerado um erro por muitos. Até o próprio idealizador, Roger Waters, se desapontou: “Foi uma tristeza fazer The Final Cut, mesmo tendo-o ouvido depois e gostado de grande parte, não gosto da maneira como cantei. Consegue-se perceber a tensão louca por todo o álbum. (…) Foi uma época terrível. Nós discutíamos como cães e gatos, começando a perceber ou antes a aceitar que não havia banda”.

Sabe aquela história sobre surgir algo na hora errada e no lugar errado? Talvez foi isso que aconteceu. Talvez, se Water tivesse o lançado em sua carreira solo tivesse mais sucesso. Ou talvez não. Talvez, se fosse lançado em uma geração mais engajada como de 60, na contracultura, sua mensagem de social seria entendida. Ou talvez não. Em suma, fato é fato, e só resta a nós, mortais, curtir essa obra de arte, e não depender tanto do que há por trás do álbum para apreciá-lo.