Quiet Is The New Loud – Por Trás do Álbum

NOTA DO ÁLBUM: 

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: I Don’t Know What I Can Save You From

Em algum post anterior eu comentei sobre o legado da música no terceiro milênio, como a forma de distribuição e a perda da força da iconização. Mas o que mais me agrada é o vasto leque de diversas bandas de diferentes estilos que podemos ter contato. Leque tão vasto, aliás, que é preciso dar nomes igualmente amplos para agrupar tantos estilos, como a música indie ou rock alternativo, que muitas vezes não tem elementos iguais ou intersecções além de músicas independentes para o público underground. E entre as várias bandas que venho conhecendo, uma realmente despertou em mim a necessidade de escrever um post. Chamam-se Kings of Convenience, uma dupla folk de jovens violonistas noruegueses com vozes espetacularmente doces (e é aí que está a graça do cenário indie: em que outra época ou lugar eu seria capaz de encontrar e virar fã de um duo norueguês sem perspectiva comercial?).

A primeira música deles que ouvi foi I’d Rather Dance With You no blog Song Sweet Song, e era um pop bem leve e envolvente, o que descobri mais tarde ser uma importante característica da banda: a versatilidade. Não que eles tenham em seu repertório músicas diferentes e estejam sempre experimentando novos estilos, mas que quando arriscam um estilo diferente são capazes de manter a excelência. É o caso de quem ouve a discografia dos caras. O primeiro álbum, Quiet Is The New Loud (2001), é um álbum genuinamente folk (ainda que com algum vestígio de, olha só, bossa nova!), com influências marcantes de Simon & Garfunkel, grandes ícones do folk. O segundo, Riot On An Empty Street (2004) é um mexidão de folk, pop e bossa nova. É um ótimo álbum e marca uma transição da época mais folk do grupo para uma batida mais bossa nova como é visto no terceiro e mais recente álbum, Declaration of Dependence (2009). A questão é que a banda (ou duo) tem uma versatilidade acrescentadora, ou seja, ela não passa de folk para bossa nova, mas a medida que lança material novo é possível perceber que são elementos que são trabalhados juntos.

Apesar de serem dignos de um post de toda a discografia, me limitei a escrever somente sobre o primeiro álbum, que acredito ser o mais importante tanto pelo impacto quanto pela introdução da banda no cenário indie. O mérito, porém, não é somente de Erlend Øye e Eirik Bøe (vocalistas/violonistas), pois a obra teve Ken Nelson como produtor, um dos responsáveis pela excelência e fama do Coldplay ao produzir os três primeiros álbuns do quarteto inglês. No clima de revival característico dos anos 00, a banda ajudou a dar um novo fôlego ao folk (como eu ja citei ao mencionar a semelhança com S&G), e por isso a certa importância do álbum, que logo conquistou muitos fãs. O álbum chegou inclusive a batizar o nome de uma banda. Como característica do folk, as músicas têm mais foco para a melodia e letra das músicas, e a melodia, pelo menos, eu garanto que fez do álbum e da banda o que ela é hoje. São melodias marcantes sob duas vozes abençoadas, com refrões tão climáticos quanto deve ser (destaque para Singing Softly to MeWinning a Battle, Losing the War). E o mesmo vale para as melodias de solos de violão, que já desse primeiro álbum tem um quê de bossa nova, bem exemplificado pela introdução de I Don’t Know What I Can Save You From.

Apesar da homogeneidade perceptível no estilo musical do álbum, o mesmo não se pode dizer sobre a parte lírica. Todas as músicas são cantadas em inglês, talvez contradizendo o próprio Eirik ao afirmar que fazem música pela música, sem se preocupar com a parte comercial (mas todos sabemos que o primeiro ingrediente para sucesso comercial internacional é a música ser em inglês… além disso, adoraria ouvir eles cantarem em norueguês, confesso). Os temas das músicas variam, podendo ser tanto introspectivos (como Winning a Battle, Losing the War), sobre amor (vide The Girl From Back Then e Singing Softly to Me) ou sobre coisas completamente abstratas e/ou externas (Parallel Lines Little Kids). É interessante notar que mesmo para estrangeiros, eles têm um vocabulário muito amplo no inglês, presentes em quase todas as músicas deste álbum, com raras exceções (The Girl From Back Then, por exemplo, só tem uma fraca estrofe), superando liricamente muitos artistas que têm o inglês como língua mãe. FailureWinning a Battle, Losing the War se destacam na poesia e vale a pena ser conferida por aqueles que dão grande valor à mensagem na música.

Quiet Is The New Loud é uma álbum para ser ouvido inteiro, em um dia que se busca paz de espírito e calmaria. Voz suave, arranjo bonito no violão e refrões impecáveis são elogios comuns. E, se você gostou da obra, não deixe de ouvir a discografia inteira, é importante para conhecer a banda. No mínimo, ‘é bom para ouvir no carro’, como disse um amigo meu.

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2 Responses to “Quiet Is The New Loud – Por Trás do Álbum”

  1. Gabriel Pozzi says :

    rapaz, primeiro de tudo quero agradecer a citação ao Song Sweet Song! fico muito feliz de ver meu blog aparecendo por aqui! ^^

    segundo tenho que dizer que vc PRECISA falar sobre os outros dois albuns em futuros posts! sou obcecado por informações sobre as bandas que gosto, e vc fez um apanhado excelente sobre o primeiro trabalho do KoC! Com certeza será muito valioso para quando escrever sobre essa dupla incrível novamente!

    ah, vc citou ótimos pontos! principalmente na comparação com Simon & Garfunkel (eu me arriscaria a dizer que eles são o Simon & Garfunkel dos anos 00′, sem tamanha popularidade e prestígio) e ao falar da influencia da Bossa Nova em suas obras… de fato, é provavelmente um dos generos favoritos deles!

    não sei se chegou a ler a resenha que fiz do show deles em são paulo, mas o Erlend foi bem mala! em sua personalidade ele não refletiu esse clima que vc disse de “paz de espírito” e “calmaria”… se irritou com pessoas que cantavam juntos, com pessoas que bebiam nos bares, com pessoas que não acompanharam ele em alguns coros… enfim, pelo menos musicalmente eles foram perfeitos, e isso que eu pretendo guardar pra sempre de bom desse show!

    abraços, post show de bola, hein Igor?

    songsweetsong.blogspot.com

    • igorhsb says :

      Grande Pozzi! vlw pelos comentarios, cara, fico feliz. E a proposito, vi sim sua resenha sobre o show, e eu nunca imaginaria q com musicas tao calmas ele seria estouradinho kkkk. Mas tem artistas q sao beeem chatos e perfeccionistas msm. João Gilberto, o papa da bossa nova, por exemplo, já abandonou vários shows por se incomodar com o barulho da plateia o.O

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